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Casa do Douro. Comissão Administrativa põe 27 lotes de vinho generoso à venda para pagar salários

O objetivo é saldar uma dívida superior a um milhão de euros com trabalhadores, segurança social e Finanças

São 81.400 litros de vinho generoso, branco e tinto, de colheitas várias, de 1934 a 2001. Estão divididos em 27 lotes prontos a vender com um preço base entre os 48.400 euros e os 80 mil euros. Se houver compradores, a Comissão Administrativa do Património da Casa do Douro poderá arrecadar mais de um milhão de euros e saldar dívidas com trabalhadores, segurança social e finanças.

O regulamento desta venda, a realizar na modalidade de apresentação de propostas em carta fechada, foi hoje publicado no site do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) e define como destinatários do negócio "comerciantes de vinho generoso e comerciantes de vinho do Porto" inscritos no IVDP.

O processo de venda, hoje iniciado, tem como prazo limite para apresentação de propostas o próximo dia 3 de maio e a adjudicação será feita a quem oferecer o preço mais elevado por lote,

Criada em 1932, dois anos anos da vindima de três lotes de tinto agora colocados à venda, a Casa do Douro (CD) viu a sua dimensão pública ser extinta em dezembro de 2014, pelo anterior governo PSD/ CDS-PP, depois de um longo período de problemas financeiros em que a instituição acumulou dividas a trabalhadores e ao Estado. Neste contexto, foi aberto um concurso para escolher uma entidade para a gestão privada da CD, através da Federação Renovação do Douro, e foi nomeada uma administração liquidatária. Mas em maio do ano passado, o governo do PS, liderado por António Costa, aprovou a criação de uma comissão administrativa para a regularização das dívidas da extinta Casa do Douro e da situação dos trabalhadores.

As competências desta comissão abarcam o inventário do património, a guarda de documentação, a gestão de bens móveis e imóveis, a conservação de vinhos, a elaboração de um plano de pagamentos e a regularização dos pagamentos aos trabalhadores da instituição, designadamente, vencimentos e indemnizações a funcionários que perderam o vínculo laboral quando a CD foi extinta, assim como a outros que já tinham saído da instituição e também tinham salários em atraso.

Em dezembro último, em resultado de algumas vendas, designadamente viaturas, esta comissão já tinha realizado algum dinheiro e pagou cerca de mil euros a 60 trabalhadores com salários em atraso.