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€5 mil milhões para as residências universitárias

António Pedro Ferreira

Alojar estudantes universitários é um mercado cada vez mais rentável. Investidores procuram oportunidades na Europa

Marisa Antunes

Jornalista

As residências universitárias consideradas uma rentável classe de ativos de investimento são hoje uma tendência consolidada em vários países da Europa e nos Estados Unidos. Portugal está a dar agora os primeiros passos mas já começa também a atrair alguns destes investidores que a consultora JLL estima terem atualmente entre €4 a €5 mil milhões de capitais disponíveis em busca de stock de residências de estudantes em vários países da Europa.

No relatório “European Student Housing 2017”, divulgado esta semana, a consultora identifica os seis mercados europeus onde este sector deverá registar um crescimento significativo e sustentado: França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda e Espanha. Portugal tem ainda “pouca escala mas está a acompanhar esta tendência europeia e cresceu bastante no último ano”, diz Maria Empis, do departamento de Pesquisa da JLL Portugal, lembrando que o número de estudantes estrangeiros no país atingiu cerca de 38 mil no ano letivo 2015/2016, equivalente a 11% da população estudantil em Portugal. 42% dos estudantes estrangeiros estão em Lisboa e 17% no Porto.

Seis em Lisboa, 
uma no Porto

Por cá, o stock de residências modernas é ainda “residual”, pois a grande parte da oferta de alojamento para estudantes “é operada através de apartamentos privados, muitas vezes em regime informal e com baixa qualidade, ou equipamentos públicos, bastante obsoletos e desconfortáveis”.

A oferta qualificada que existe resume-se atualmente a seis residências (com capacidade para 300 alunos e já todas esgotadas), mas há vários investidores a procurarem oportunidades neste mercado principalmente nos eixos do Saldanha, da Almirante Reis e o Bairro Alto, segundo o estudo da JLL.

No Porto, o stock atual é de apenas uma residência com capacidade para 195 alunos e em preparação estão duas novas residências. As zonas da Baixa e de Paranhos são as mais pretendidas para este tipo de alojamento.

Há uma década, existiam 500 cursos universitários lecionados em inglês em mercados europeus onde esta não é a língua oficial. Atualmente há 6000, sublinha o relatório. As universidades europeias estão bem posicionadas para conquistar maior quota de mercado dos estudantes estrangeiros, atualmente dominado pelos Estados Unidos e Reino Unido.

“Os mercados onde as residências de estudantes estão a emergir como classe de ativos de investimento são muito procurados: Os fundos institucionais, os fundos de private equity (que investem em capital não cotado) e os operadores estabelecidos — quer internacionais quer domésticos — têm um elevado apetite por novos portefólios em novos mercados”, realça o estudo, lembrando que o número de estudantes estrangeiros a circular na Europa deverá atingir os 7 milhões em 2020, comparando com os 4,1 milhões registados em 2014.

“É um momento muito entusiasmante para os investidores em residências de estudantes em toda a Europa. No Reino Unido, este sector está numa fase de grande maturidade e é reconhecido como uma classe de ativos sólida e independente. Os investidores olham agora para a Europa Continental para obter retornos mais fortes. Os seis mercados que destacamos estão a emergir neste âmbito, mas são também muito líquidos e beneficiam dos mesmos indicadores de desempenho que o mercado mais maduro do Reino Unido”, apontou Philip Hillman, um dos responsáveis da JLL para a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África).