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Jovens são ‘forçados’ a comprar casa

61% dos jovens que procuram casa gostariam de ficar no centro das cidades mas não têm capacidade financeira

Luis Barra

Mercado de arrendamento não está adequado às necessidades da geração Millennials

Em Portugal, o que deseja e o que acaba por concretizar a geração jovem quando entra no mercado imobiliário? Este foi o ponto de partida de um estudo da Century21 feito junto de 92 agências desta rede imobiliária. A principal conclusão é, desde logo, que a Geração Millennials — indivíduos nascidos entre os anos 80 e 2000 — preferiria arrendar (até por questões de mobilidade) mas por falta de oferta a esmagadora maioria acaba por comprar casa.

“No nosso país estima-se que existam cerca de 1,8 milhões de indivíduos que pertencem à Geração Y. São jovens que estão a incorporar-se, gradualmente, na vida ativa e dentro de poucos anos serão o principal ativo da economia nacional. O grande desafio do mercado é, pois, perceber o que está a acontecer do lado desta procura e ajustar a oferta de acordo com as novas necessidades”, realça Ricardo Sousa, presidente da Century21 Portugal.

Estes compradores jovens, que se integram numa faixa etária até aos 37 anos, nasceram e cresceram na era global e digital e valorizam a possibilidade de aceitar emprego em qualquer parte do mundo. Por isso privilegiam a mobilidade. E efetivamente, 65% dos jovens, segundo o estudo, preferem o arrendamento e apenas 34,4% gostariam de adquirir casa. “Mas a verdade é que a maioria acaba por comprar casa com o apoio da família porque não há muitas opções no mercado de arrendamento”, sublinha Ricardo Sousa.

A localização ideal também acaba por sair defraudada nas expectativas deste grupo quando confrontado com a realidade do mercado: mais de 61% dos millennials preferem habitar nos centros urbanos e quase 40% referem ainda que gostariam de viver perto do local de trabalho, mas os valores mais elevados da habitação nestas zonas acabam por empurrá-los para bairros mais periféricos, mais nivelados com as respetivas capacidades financeiras.

“E mesmo nestes bairros periféricos compensa mais pagar a prestação da casa ao banco do que arrendar, daí a opção que fazem pela aquisição”.

O administrador da Century21 defende por isso uma “maior profissionalização do mercado de arrendamento” através de uma “fiscalização mais incisiva no mercado paralelo, que não é declarado, pois é muito difícil os investidores competirem a este nível”, acabando por isso por optar por outro tipo de produtos, onde se inclui o alojamento local.
Arrendar até aos €600

Dos que conseguem arrendar, segundo o estudo, 78% optam por casas até €600 e apenas 19,5% realizam arrendamentos entre os €600 e os €1000.

Questionadas sobre o valor médio das transações de venda de imóveis realizados pelos millennials, 50% das lojas da marca referem que estes se situam abaixo dos €100 mil e 46,9% da rede Century 21 Portugal registam valores médios de venda de imóveis entre os €100 mil e os €200 mil, neste segmento de consumidores.

Uma novidade trazida por esta geração é a sua consciência ambiental aplicada ao imobiliário: 67,2% dos millennials afirmam procurar imóveis com sistemas que permitam maior poupança energética, quer para soluções de aquisição quer de arrendamento.