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Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil: “O Governo pôs-se ao lado das multinacionais”

Vigilantes e seguranças privados que trabalham nos aeroportos portugueses protestam em frente ao Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa

José Sena Goulão / Lusa

Adesão à greve parcial dos trabalhadores de segurança privada dos aeroportos é de 60% em Lisboa e 50% no Porto. Sindicato critica o Governo por decretar serviços mínimos numa greve de duas horas diárias no início dos turnos

A greve de cinco dias dos trabalhadores das empresas de segurança privada nos aeroportos, que teve início na madrugada desta quinta-feira, registou uma adesão de 60% no aeroporto Humberto Delgado, Lisboa, e 50% no aeroporto Sá Carneiro, no Porto. “Nos restantes aeroportos a adesão não foi tão boa, por serem mais pequenos”, disse ao Expresso Armando Costa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil (SITAVA).

O SITAVA acusa as empresas multinacionais de segurança de ameaçar os trabalhadores com processos disciplinares caso abandonassem os postos de trabalho para participar no plenário realizado também esta quinta-feira para fazer um ponto de situação da greve e preparar os próximos dias de greve parcial, que dura até à próxima segunda-feira, 17 de abril. A pressão comprometeu a adesão, acredita o sindicalista. “Algumas pessoas cederam ao medo e ficaram no seu posto de trabalho. Outras perceberam que as ameaças não poderiam concretizar-se porque os trabalhadores têm direito à greve, marcada dez dia antes.”

Mas não é só às multinacionais que Armando Costa aponta o dedo, acusando também o Governo de as favorecer. “O Governo pôs-se ao lado das multinacionais.” Para o dirigente, os serviços mínimos de 40% do serviço prestado são “desproporcionais”, especialmente numa greve de 2h diárias no início dos turnos. “O nosso objetivo nunca foi penalizar os passageiros e as companhias aéreas, por isso decretámos uma greve de duas horas diárias à entrada”, garante. “Esta atitude mostra uma cedência aos interesses económicos em prejuízo do direito à greve.”

A ANA - Aeroportos de Portugal já veio dizer à Lusa que a paralisação de esta quinta-feira, entre as 4h e as 6h, não afetou as ligações aéreas, não existindo atrasados ou cancelamentos nos voos. A Associação de Empresas de Segurança (AES), por sua vez, lamenta a greve parcial, sublinhando que as propostas do sindicato comprometem “a sustentabilidade financeira das empresas” ao levarem a um “incremento direto de custos superior a 30%” o que pode contribuir para “a destruição definitiva de emprego neste setor”.

Segurança vs. Precariedade

A SITAVA acusa as empresas de segurança, Prosegur e Securitas, e a concessionária ANA/Vinci, “de se alimentarem da exploração” dos trabalhadores. As exigências dos sindicalistas passam por negociar um contrato coletivo de trabalho com melhores salários (congelados desde 2011), horários e condições de trabalho, que considera “deploráveis” e levarem a uma diminuição dos “níveis de concentração” e da segurança nos aeroportos.

“Além de serem precários, os trabalhadores têm horários desabridos, com grandes jornadas e constantemente alterados, que dificultam a existência de vida familiar e pessoal”, explica, acrescentando que estes chegam a fazer mais 11 dias por ano, pagos a 25%. “E existem abusos: se um trabalhador fica doente e mete baixa, as empresas obrigam-no a trabalhar os dias dessa baixa no mês seguinte.”

As condições de higiene e segurança também são outro dos fatores destacados. “Os trabalhadores nem balneários têm para trocar de roupa. Têm que se fardar e desfardar nas casas-de-banho dos passageiros.”

Além da precariedade referida, os contratos a part-time ou a prazo constituem outro motivo de preocupação. “Este é um trabalhador que não está muito tempo nos aeroportos”, sublinha. “E isto é preocupante, porque na segurança aeroportuária há determinadas questões que só conhece quem lá está muito tempo.” E lança uma questão ao Governo: “A segurança dos aeroportos é compatível com a precariedade?”