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Dólar cai depois de mudança de posições de Trump

Matt Cardy/GETTY

O dólar caiu 0,6% face ao euro depois das declarações na quarta-feira do presidente norte-americano ao "The Wall Street Journal". Na abertura desta quinta-feira, o dólar está a valorizar ligeiramente

Jorge Nascimento Rodrigues

O dólar desvalorizou 0,6% face a euro na quarta-feira depois das declarações do presidente Donald Trump de que “o dólar está a tornar-se demasiado forte” e isso “está a doer – isso vai doer em última instância”. O presidente dos Estados Unidos provocou um ‘choque’ no mercado cambial nas cinco horas seguintes à sua entrevista ao The Wall Street Journal, onde alterou diversas posições importantes da sua plataforma eleitoral em relação ao dólar, à China, à política monetária da Reserva Federal (Fed), o banco central norte-americano, e à sua própria dirigente, Janet Yellen.

Os mercados financeiros reagiram na quarta-feira, durante a sessão na América, à mudança do discurso de Trump com o dólar a cair de 94,4 cêntimos de euro antes da divulgação da entrevista para 93,8 cêntimos de euro no fecho, as bolsas de Nova Iorque a fecharem com perdas de 0,39% e as yields dos títulos do Tesouro a 10 anos a descerem para 15 pontos base abaixo do nível em que estavam no final de março.

O índice dos futuros do dólar caiu de 100,7 antes de conhecidas as declarações do presidente na quarta-feira para 99,96 durante a sessão da manhã de quinta-feira nos mercados asiáticos.

Na abertura desta quinta-feira nos mercados europeus, o dólar está a valorizar ligeiramente em relação ao fecho do dia anterior, subindo para 93,9 cêntimos do euro pelas 8 horas (hora de Portugal). O índice dos futuros do dólar subiu para 100,19.

Apesar dos ziguezagues, o euro valorizou 1,3% em relação ao dólar desde final do ano passado.

Os futuros em Wall Street estão esta quinta-feira no vermelho, indiciando uma abertura em terreno negativo, quando os mercados financeiros iniciarem a sessão em Nova Iorque.

As reviravoltas no discurso do inquilino da Casa Branca refletiram-se não só na entrevista ao jornal norte-americano, mas também numa conferência de imprensa ao lado do secretário-geral da NATO.

Trump agora acha que o dólar está demasiado forte, “parcialmente” por causa dele, “porque as pessoas têm confiança em mim”, mas reconhece que a doutrina de um dólar forte “está a doer” e vai magoar a economia americana em última instância.

Mudou, também, de posição em relação à política monetária do banco central do seu país e até mudou de opinião sobre a presidente da Fed. “Gosto de uma política de taxa de juro [do banco central] baixa, devo ser honesto consigo”. Referindo-se a Janet Yellen, referiu que “gosto dela, respeito-a”.

A nível internacional, os analistas estavam na expetativa da posição da Administração norte-americana sobre a China. Trump diz, agora, que “[os chineses] não são manipuladores de divisa”, depois de ter ameaçado voltar a etiquetar a China como manipuladora do yuan, nomeação que não acontece desde 1994. Um porta voz do Tesouro confirmou que o Relatório semestral do Departamento do Tesouro sobre as políticas cambiais dos principais parceiros comerciais dos EUA não vai nomear a China como manipuladora de divisa. O relatório é divulgado ainda esta semana.

No mesmo dia, em conferência de imprensa na Casa Branca ao lado de Jens Stoltenberg, secretário-geral da NATO, Trump mudou publicamente de posição sobre aquela organização: “Eu disse que estava obsoleta. Já não está obsoleta”.