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Portugal volta a financiar-se esta quarta-feira

reuters

O país pretende obter entre €1000 milhões e €1250 milhões em dois leilões de Obrigações do Tesouro que o IGCP realizará esta quarta-feira nos prazos de 5 e 8 anos. Mas ainda não será desta vez que vai ser ‘testada’ a nova linha de Obrigações a 10 anos lançada em janeiro

Portugal regressa na quarta-feira aos mercados de capitais para se financiar através de dois leilões de Obrigações do Tesouro (OT) com o objetivo de captar entre €1000 milhões e €1250 milhões. As duas operações reabrem as linhas de OT com vencimento em 2022 (atual referência para 5 anos) e em 2025 (atual referência para 8 anos). Ainda não é desta vez que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) ‘testa’ em leilão a linha obrigacionista lançada em janeiro e que serve atualmente de referência a 10 anos.

O IGCP pagou uma taxa de 2,753% no último leilão, em fevereiro deste ano, da OT a 5 anos, cuja yield indicativa no mercado secundário está em 2,2%. No caso da linha de OT a 8 anos, o último leilão foi realizado em junho do ano passado, tendo, então, o Tesouro pago uma taxa de 2,859%. Entretanto, as yields no mercado secundário para esta OT a 8 anos subiram desde o verão do ano passado, estando atualmente em 3,3%.

O IGCP já colocou cerca de €5,3 mil milhões em dívida obrigacionista através de uma operação de sindicação de €3 mil milhões logo em janeiro e de quatro leilões em fevereiro e em março. O Tesouro prevê emitir em 2017 dívida obrigacionista entre €14 mil milhões e €16 mil milhões, combinando sindicatos e leilões, assegurando emissões mensais.

As yields das OT no mercado secundário têm estado em trajetória descendente. Na referência, a 10 anos, situam-se abaixo de 3,9%, um nível já claramente inferior à taxa de 4,227% que o IGCP pagou na operação de sindicação em janeiro.

A queda nos juros da dívida portuguesa no mercado secundário tem beneficiado de um ‘vento favorável’ no conjunto da zona euro, com a reafirmação pelo Banco Central Europeu (BCE) de que a política monetária não vai endurecer este ano, e, internamente, do afastamento do risco da agência canadiana DBRS descer a 21 de abril o rating de Portugal para nível especulativo, vulgo ‘lixo financeiro’.

Ainda na semana passada, Mario Draghi, presidente do BCE, afastou qualquer sinal de mudança na orientação da política monetária que tem permitido manter os juros da dívida pública da zona euro no mercado secundário em níveis historicamente baixos.

A divulgação na semana passada das atas da reunião do conselho do BCE de 8 e 9 de março reforçou o tom das declarações de Draghi. Apesar de terem desaparecido os riscos de deflação, é prematuro mexer na política monetária expansionista. Mudanças na orientação poderiam levar a um movimento altista indesejável nas taxas de juro no mercado e a um aperto nas condições financeiras, lê-se nas atas.

O bom andamento das negociações entre Atenas e os credores oficiais europeus para o fecho do segundo exame ao terceiro resgate grego reduziu drasticamente o risco de incumprimento helénico no verão (quando terá de amortizar dívida ao BCE e ao Fundo Monetário Internacional) e o efeito de contágio grego na zona euro.

Apesar da incerteza política sobre os resultados das duas voltas de eleições presidenciais em França em abril e maio e sobre a evolução da situação em Itália e do aumento dos riscos geopolíticos derivados dos últimos movimentos norte-americanos na Síria e na Península Coreana, a zona euro continua “sedada”, como referem os analistas do Commerzbank. A continuação da política monetária expansionista do BCE tem anestesiado aqueles efeitos.