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Ericsson partilha boas práticas de RH

Na estrutura da empresa aplica-se a informalidade - há líderes, mas não há "doutores" e "engenheiros"

António Bernardo

Saiba o que mudou na Ericsson desde que participou no prémio Melhores Empresas para Trabalhar 2016 da revista Exame. As inscrições para a edição deste ano já estão abertas desde o dia 5 de abril

Helena C. Peralta

A filial portuguesa da Ericsson não é estreante nos prémios relativos às Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal. Muito pelo contrário: recebeu a medalha de ouro na edição de 2015 e ainda obteve uma menção honrosa de liderança inspiradora. Também no ano anterior tinha estado no pódio ao lado da TNT e, em 2016, apesar de ter caído para a oitava posição no ranking global, venceu na categoria de Melhor Relação entre Liderança de Equipa. Por isso, saber trabalhar em equipa e manter um diálogo aberto com os colegas, são características fundamentais para se trabalhar nessa multinacional de origem sueca.

Esta distinção da revista Exame teve, mais uma vez, impacto na imagem da filial portuguesa sedeada na Quinta da Fonte, em Oeiras. Rute Diniz, diretora de Recursos Humanos da empresa, refere que “notámos claramente um incremento do número de candidaturas espontâneas, em relação ao número habitual, nos meses subsequentes ao anúncio do ranking de 2016”, explica. Além disso, a mesma responsável afirma que também receberam inúmeros contatos da parte de empresas do sector no sentido de efetuarem a partilha das melhores práticas de gestão de capital humano. A partilha é, aliás, um dos pilares da organização, já que o seu modelo de negócio exige uma atitude colaborativa em todas as áreas.

Depois do prémio do ano passado, atribuído em finais de novembro, a Ericsson, que não “dorme à sombra da bananeira” já introduziu alterações destinadas a melhorar o clima interno e a satisfação no local de trabalho. Houve um incremento da flexibilidade no modelo de prestação do trabalho, aumentando assim o número de colaboradores a exercerem funções remotamente. “Esta virtualização do trabalho traz benefícios na produtividade, no balanço entre a vida pessoal e a vida profissional e consequentemente, uma maior motivação e um grau de compromisso mais elevado”, explica Rute Diniz.

Maior proximidade entre empresa e colaboradores

A Ericsson, presente em cerca de 180 países onde lida com colaboradores de numerosas nacionalidades, preocupa-se também em aproximar cada vez mais as suas pessoas à empresa. Por isso, conforme explica Rute Diniz, desde o ano passado que se procura uma ainda maior proximidade com os colaboradores, sobretudo em ocasiões com significado para os mesmos. “Por exemplo, na celebração da sua senioridade, nos 10 e 20 anos na empresa, estão presentes a gestão de topo e os Recursos Humanos, num pequeno-almoço de confraternização entre todos. Durante esse evento são relembradas memórias e experiências vividas na Ericsson e são lançados votos de renovação de energia e motivação, para muitos mais anos”, explica Rute Diniz.

Também o modelo de gestão de desempenho foi alvo de uma maior flexibilização, permitindo atualizações constantes e incentivando a que haja, durante o ano, mais conversas entre chefia e o colaborador. Esta é mais uma medida no sentido de melhorar esta relação, numa empresa em que o ambiente informal domina e onde há chefes mas não há “doutores e engenheiros”. Aliás, as equipas são mesmo incentivadas a avaliar o desempenho dos seus superiores hierárquicos com alguma regularidade, através dos chamados leadership feedback workshops, sendo que estes implicam o compromisso de melhorar os aspetos menos positivos através de um plano de ação.

A Ericsson é também uma companhia que se distingue como uma boa empresa para as mulheres trabalharem. Em 2014, o CEO da companhia, Hans Vestberg, estabeleceu publicamente o objetivo de que em 2020 cerca de 30% da força de trabalho da companhia seria do sexo feminino. Isto porque sendo uma empresa de um sector tipicamente masculino – tecnologias de informação e comunicação – os homens dominam largamente, cenário que a multinacional pretende reverter. Para isso, está a avançar com uma série de alterações que permitem flexibilizar e ajustar o trabalho à vida pessoal das mulheres, sobretudo daquelas que exercem o papel de mães.

Também os benefícios e iniciativas que atribuem aos seus colaboradores são muitos e procuram manter o envolvimento e compromisso entre trabalhadores e empresa. Distribuição de resultados, plano de pensões, seguros de saúde, seguros de vida, check-up médico anual, serviço de medicina curativa na empresa, subsídio para ginásio e descontos em vários produtos e serviços, são apenas alguns desta lista.