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Fundo privado capta milhões para poupar energia

A empresa liderada por Fernando Esmeraldo está a ultimar a criação do novo veículo

José Caria

ECS prepara fundo através do qual investidores poderão aplicar até €100 milhões a médio prazo. EDP é parceira no projeto

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A sociedade gestora de fundos de capital de risco ECS está a preparar o lançamento de um fundo de investimento para financiar projetos energéticos em Portugal, tais como instalações de energia solar nas empresas e investimentos em ações de eficiência energética, apurou o Expresso.

O objetivo é permitir às empresas portuguesas ter acesso a soluções que reduzam a sua fatura elétrica, sem que essas sociedades tenham de fazer qualquer investimento que possa penalizar a sua tesouraria. As empresas beneficiárias apenas terão de entregar ao fundo um montante equivalente a uma parte da poupança que conseguirão por via da produção própria de energia ou da alteração de tensão no abastecimento de eletricidade. A forma como o fundo cobrará a partilha dos benefícios (ou seja, como o fundo será remunerado) será negociada caso a caso.

Questionada sobre este projeto, a ECS confirmou que “está a trabalhar no desenvolvimento de um fundo que tem como objetivo estimular e aproveitar o potencial energético do país e a eficiência energética, no qual o parceiro tecnológico será a EDP”.

O Expresso sabe que a empresa presidida por Fernando Esmeraldo já fez uma pré-seleção, juntamente com a EDP, de alguns projetos que poderão ser financiados pelo novo fundo. E alguns deles serão realizados em empresas que compõem a atual carteira de participações gerida pela ECS. Globalmente, a expectativa dos promotores é que a médio prazo, num horizonte de três a cinco anos, este veículo venha a aplicar cerca de €100 milhões.

Para avançar com este novo fundo para a energia, que deverá estar operacional num horizonte de três meses, a ECS já começou a sondar um conjunto de investidores, sobretudo institucionais (incluindo bancos), que irão subscrever as unidades de participação. Quando a angariação do investimento estiver concretizada, o fundo avançará para os primeiros projetos.

Não é a primeira vez que uma empresa em Portugal tenta reunir investidores para financiar instalações de energia solar para terceiros. A Ikaros Hemera, uma participada de Miguel Pais do Amaral, tem apostado nessa estratégia, mas a cada projeto aloca um determinado investidor. Já o projeto da ECS assenta na ideia de juntar os investidores num só fundo e distribuir o seu capital por diversos empreendimentos, o que permitirá minimizar riscos em projetos que possam correr mal (por exemplo, uma eventual falência de uma das empresas que recebem os investimentos).

O desenvolvimento de projetos para terceiros foi, na última década, uma das áreas de negócio emergentes no sector energético. Mas algumas empresas de serviços energéticos acabaram por se confrontar com dificuldades para pôr em marcha os seus projetos em Portugal, sobretudo tendo em conta as dificuldades financeiras do país após 2011.

O contexto atual é outro. A queda nas taxas de juro deixou os tradicionais depósitos a prazo com níveis de retorno próximos do zero, aumentando o apetite dos investidores por produtos alternativos, com rendimentos mais altos. Por outro lado, a acentuada redução do custo dos equipamentos fotovoltaicos pode criar o ambiente ideal para reavivar o mercado dos serviços energéticos empresariais.

COMO FUNCIONA

Os investidores
Várias entidades subscreverão participações no fundo, comprometendo-se a investir um certo montante, que será desembolsado à medida que os projetos avancem

Os projetos
A ECS, gestora do fundo, e a EDP, parceira tecnológica, irão selecionar as empresas em que faça sentido investir em painéis solares, adaptação de tensão ou outras soluções

O retorno
As empresas escolhidas baixam a sua fatura, pagando ao fundo uma parte do montante poupado. O contrato dura mais ou menos anos consoante a percentagem partilhada seja menor ou mais elevada