Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Estado apoia pequenas empresas turísticas que querem 'dar o salto'

Vaga de crescimento turístico em Portugal está a ser acompanhada pelo reforço de apoios ao sector

Foto Tiago Miranda

Turismo de Portugal acabou de criar uma capital de risco virada já não para 'startups' tecnológicas mas PME existentes no sector que precisam de impulso financeiro para se expandir. A meta do fundo Turismo Crescimento é apoiar 40 operações entre 100 mil e 700 mil euros cada

É mais um instrumento financeiro criado a pensar nas empresas de turismo. Constituído 'de fresco', a 30 de março, o Turismo Crescimento é o quarto fundo com o foco no turismo criado pela Portugal Ventures, sociedade de capital de risco de que são acionistas o Turismo de Portugal juntamente com o IAPMEI - Agência para a Competitividade e a Inovação. Recorde-se que estes apoios se vêm somar aos já existentes fundos Portugal Ventures Turismo (detido a 85% pelo Turismo de Portugal, e os restante pelo BPI e o Novo Banco), Turismo Inovação (detido a 20% pelo Turismo de Portugal, a 50% pelo programa comunitário FEDER e os restantes 30% distribuídos pelos bancos CGD, BPI e Novo Banco) e o fundo de Dinamização Turística (a 100% do Turismo de Portugal).

O novo fundo Turismo Crescimento (participado em 90% pelo Turismo de Portugal e o restante pelo banco BPI) vai ter €14 milhões disponíveis para investimento e nesta fase inicial tem como meta apoiar 40 operações em pequenas e médias empresas (PME) do sector do turismo, em operações que unitariamente irão variar entre €100 mil e €700 mil.

“Estamos a falar de intervenções em pequenas empresas, mas que necessitam de reforço de capitais para poderem crescer, e em particular desenvolver estratégias de internacionalização”, salienta Carlos Abade, vogal do conselho diretivo do Turismo de Portugal, frisando que o novo fundo “pressupõe que as empresas tenham dois a três anos de existência, permitindo-lhes ter solidez financeira e oportunidades para poderem crescer ”.

Segundo Carlos Abade, a criação do fundo Turismo Crescimento representa “uma grande diferença relativamente ao escopo da intervenção dos fundos do Turismo de Portugal, que tem sido muito orientado para a criação de novas empresas, designadamente 'startups' de base tecnológica, o que é muito meritório pois introduz inovação no sector”.

“Mas faltava um instrumento que permitisse aplicar a liquidez disponível nos fundos a empresas já existentes, que são relativamente recentes e estão em processo de crescimento”, faz notar o responsável do Turismo de Portugal.

Complemento a linha de apoio com 12 bancos

O recente fundo de capital de risco Turismo Crescimento também vem complementar a Linha de Apoio à Qualificação da Oferta, que resulta do protocolo selado entre o Turismo de Portugal com doze instituições bancárias, e que para 2017 foi reforçada em €75 milhões, disponibilizando às empresas turísticas acesso a financiamento em condições especiais, além de impulsionar o aparecimento de novos negócios.

“As empresas podem ter com esta linha um complemento para não se financiarem só com dívida, uma vez que este fundo permite uma solução híbrida, o financiamento com um pouco de dívida e também um pouco de capital”, adianta Carlos Abade.

Em 2016, no âmbito da Linha de Apoio à Qualificação da Oferta foram aprovados 83 projetos, com um valor de investimento associado de €133 milhões, um financiamento aprovado de €65 milhões e ultrapassando o orçamento previsto - o que levou o Turismo de Portugal a decidir avançar com o seu reforço para 2017 em mais €75 milhões face ao “excelente desempenho da linha e do forte impulso que a mesma provocou no investimento”. O orçamento foi ultrapassado num só ano (estava previsto para dois), tendo ficado por analisar 28 operações com um investimento associado de €32 milhões. BCP, Novo Banco, Novo Banco dos Açores, Santander, BPI, CGD, Banco Popular, Montepio, Crédito Agrícola, Abanca, Banco Português de Gestão e Banco BIC são os bancos envolvidos nesta linha em parceria com o Turismo de Portugal.

Sobre o novo fundo Turismo Crescimento, e o seu objetivo de dar um impulso a pequenas empresas que surgiram recentemente no panorama turístico nacional, Carlos Abade frisa que “era algo que faltava no nosso portefólio de fundos, mas que agora está salvaguardado”.