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O Infante de Sagres vai renascer maior e mais luxuoso

Teixeira Lopes tem a missão de trazer o hotel para o século XXI

LUCILIA MONTEIRO

Grupo Fladgate investe €5,5 milhões para recuperar o primeiro cinco estrelas do Porto

Aos 66 anos, o primeiro hotel de cinco estrelas do Porto vai ter um clube noturno na sua cave granítica, um Spa na cobertura, uma piscina no terraço, elevador panorâmico e um Vogue Café. Na restauração, o desígnio é conquistar duas estrelas Michelin e igualar o The Yeatman, o outro hotel do grupo The Fladgate Partnership (TFP), em Gaia.

Decidido a restaurar esta “velha joia” na zona protegida do Porto Património Mundial, Adrian Bridge, diretor-geral do TPF, vai investir €5,5 milhões e entregou a segunda vida do edifício nas mãos do arquiteto portuense António Teixeira Lopes, de 85 anos, discípulo do mestre Rogério Azevedo, autor do projeto original, na então Escola de Belas Artes do Porto.

Os trabalhos de requalificação e ampliação vão obrigar a encerrar o hotel durante cinco meses, entre novembro e abril próximos. Quando reabrir, em vez de 8 suítes e 62 quartos atuais, o Infante de Sagres terá 21 suítes e 60 quartos, três dos quais a construir num edifício que o grupo TFP comprou nas traseiras do hotel, de forma a facilitar a logística das entradas e saídas de mercadorias e trabalhadores, ganhando, também, espaço adicional.

Em termos de classificação, o hotel troca as suas cinco estrelas pela insígnia Tradition & Luxury Hotel, mas promete manter o estilo de “academismo modernista” do projeto inicial, pensado pelo empresário Delfim Ferreira para rivalizar com o Aviz, em Lisboa.

Inaugurado em 1951, o Infante de Sagres já recebeu personalidades como o Dalai Lama, Bob Dylan, os membros da banda irlandesa U2 e o príncipe Eduardo de Inglaterra. Era o hotel predileto de Mário Soares na cidade. “Desde há muitos anos que durmo, como e me divirto. Creio que já fiz e tenho amigos aqui. Abraços”, escreveu a fadista Amália Rodrigues, em 1996, no livro de honra.

Entusiasmado com o trabalho em que conta com a colaboração de Pedro Gomes, também do ateliê Medida Arquitectura, Teixeira Lopes quer “modernizar sem estragar” o icónico hotel, aproveitar para “adaptar o espaço às exigências de uma unidade hoteleira de luxo do século XXI” e retirar-lhe “as excrescências malignas do último restauro”.

Cruzar artes como missão

Em “diálogo permanente com escultura, pintura, paisagem”, o projeto pretende resgatar ao máximo “todos os detalhes preciosos” do edifício, da talha de madeira de castanho da responsabilidade dos “velhos armazéns Nascimento”, aos estuques dos irmãos Baganha, de Afife, e à ferronaria da escola do Corvo (Espinho). O vitral armado em chumbo do ateliê de Ricardo Leone que ilumina a escadaria principal já foi desmontado peça a peça para ser restaurado.

“Recuperar a atmosfera de luxo em linha com o que é feito nos grandes hotéis do mundo” é uma prioridade para o arquiteto. Para isso, o atual restaurante Book, na fachada lateral, com entrada pela rua de Aviz, dará lugar ao Vogue Café, decorado por Paulo Lobo. Na cave, as pedras estruturais serão iluminadas para dar luz a um clube noturno, uma aposta feita por esta ser a zona privilegiada da movida portuense e que vai ser enriquecida com pinturas de João Carqueijeiro. O Spa, inicialmente pensado para a cave, sobe a cobertura do edifício que foi anexado a este projeto, na rua da Fábrica. Ao lado do elevador em ferro forjado, nasce um novo elevador panorâmico, dentro de uma caixa de vidro com vista para uma pintura sobre cerâmica de Acácio de Carvalho.

Ao nível do segundo andar, no terraço, nasce um deck com piscina e vista para o pátio do Infante, já projetado por Teixeira Lopes, há anos. A sala dos espelhos, onde se reuniam os industriais influentes da região nos primórdios do hotel, volta a fazer parte integrante da unidade e quer voltar a ser ponto de encontro.

A obra, em fase final de licenciamento, promete resolver o problema da paragem de táxis e autocarros turísticos junto ao edifício, na praça Dona Filipa de Lencastre, “com uma pequena intervenção no passeio”.

O grupo TFP comprou o hotel há um ano, para reforçar a sua oferta de luxo no destino Porto e Norte de Portugal, onde já detém o The Yeatman, em Gaia, e o The Vintage House Hotel, no Pinhão. Proprietário das casas de vinho do Porto Taylor’s, Fonseca, Croft e Krohn, o TFP abarca, ainda, as empresas de distribuição de vinho On-Wine.pt e Heritage Wines, tem um volume de negócios superior a €100 milhões e alguns projetos de investimento em carteira na área de enoturismo entre a zona ribeirinha de Gaia e o Pinhão.