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Lidl investe €70 milhões em Portugal até ao final do ano

O vinho é um dos produtos portugueses que a marca coloca 
nas lojas lá fora

Nuno Botelho

Em entrevista ao Expresso, Afrodite Pampa, presidente do Lidl em Portugal, explica que o grupo irá remodelar perto de 70 lojas. Atualmente mais de 50% dos fornecedores, no sortido fixo [produtos que todas as lojas têm], são portugueses. E "queremos que este número continue a aumentar", conclui aquela responsável

Alda Martins

Afrodite Pampa está à frente do Lidl Portugal desde 2015 e diz que marca alemã ainda tem muito espaço para crescer no país. A chegada da espanhola Mercadona não é preocupante.

Qual o plano de expansão para Portugal?
Este ano [que começou a 1 de março] vamos abrir seis novas lojas, com cerca de 1400 metros quadrados cada, à semelhança do ano fiscal anterior. As últimas aberturas foram no Seixal e na Figueira da Foz. Temos um total de 246 lojas.

E onde vão ser as novas lojas?
Por todo o país, não serão concentradas em Lisboa e Porto. Queremos estar nas grandes mas também nas pequenas cidades. Onde há clientes disponíveis para comprar no Lidl.

Acredita que continua a haver espaço para mais supermercados?
Sim.

Porquê, se a população portuguesa não está a aumentar? É o turismo?
O turismo ajuda, em zonas específicas, mas não é só isso. Há pequenas cidades onde ainda não estamos e há cidades onde verificamos que há mais necessidades, como aconteceu com a Figueira da Foz onde já tínhamos uma loja.

O que traz de novo este conceito de loja?
As novas lojas [10 no final do ano fiscal de 2016] são amplas para permitirem aos clientes fazer as compras de uma forma mais eficiente e até mais agradável. Além disso, introduzimos um novo conceito, de cafetaria. Uma extensão da nossa padaria que já era muito bem-sucedida.

É conceito exclusivamente português?
Em Portugal somos portugueses. Definimos o que fazer com base nas preferências do país e adaptamo-nos, até nos conceitos que vêm da casa-mãe. Pagamos os nossos impostos aqui [O Lidl pagou cerca de €360 milhões em Portugal nos últimos 10 anos]. Investimos aqui. E o cliente português gosta de beber um cafezinho antes ou depois das compras. A cafetaria é um conceito “made in Portugal”.

Quanto esperam investir este ano?
No ano passado investimos €50 milhões e este ano esperamos investir €70 milhões.

O investimento inclui as remodelações?
Sim. Vamos remodelar perto de 70 lojas. Vão ficar com uma aparência muito semelhante às que têm o novo conceito mas nem todas terão cafetaria. Há outras ainda para remodelar [não para já] porque o processo não para.

Há outras mudanças na calha?
Estamos a testar um novo conceito de pronto a levar.

Onde?
Numa loja no Porto. Pode levar para casa ou comer na loja, no caso das lojas com cafetaria.

Há um limite para o número de lojas Lidl em Portugal?
Claro que há um número no qual podemos dizer que a expansão está concluída mas estamos muito longe desse número.

A entrada da espanhola Mercadona no mercado preocupa-a?
Somos bons e vamos preparar-nos para cada novo concorrente que entre no mercado. Olhamos para o Mercadona como olhamos para a restante concorrência no mercado.

O mercado português do retalho alimentar é concorrencial?
Para nós o que interessa é o crescimento sustentável. E fixarmos sempre novas metas onde queremos chegar.

E onde é que querem chegar?
Ao máximo. Segundo a consultora Nielsen, fomos a insígnia que mais cresceu, em 2016, em termos de quota de mercado –— quota de 8,5%. Queremos continuar a crescer e consolidar o nosso crescimento. As apostas que estamos a fazer permitem-nos acreditar nisso, não só em termos de quota de mercado, como de vendas. Não vou dizer quanto, mas queremos o máximo possível.

Como pretende fazer isso? Por exemplo, apostando em produtos portugueses?
Sim. Atualmente mais de 50% dos nossos fornecedores, no sortido fixo [produtos que todas as lojas têm], são portugueses. E queremos que este número continue a aumentar.

Têm uma relação muito especial com alguns produtos portugueses, sobretudo o vinho?
A relação preço/qualidade do vinho português é imbatível e tentamos passar essa perceção para os países onde o Lidl está presente. Não ganhamos nada nesse negócio. Somos embaixadores de Portugal. Mas fazemos isso com 115 produtos portugueses.

Ao nível da tecnologia o que podem esperar os vossos clientes?
A nova aplicação é mais um exemplo da nossa adaptação às necessidades do cliente. Permite-lhe fazer compras rápidas e eficientes. O cliente entra na loja com a aplicação do telemóvel, faz as compras e faz sozinho o pagamento. Introduzimos também a “My Lidl Shop” [em fevereiro]: as crianças ou os adultos podem gerir uma loja Lidl e fazê-la crescer. E estamos a começar a oferecer, nas lojas da nova geração, estações de carregamento gratuito de carros elétricos.

Que aspetos poderiam melhorar a atividade no sector?
A concorrência segue o seu caminho. Estamos todos no mesmo mercado, e ligados pela APED.

Essa é a resposta socialmente correta?
É a resposta.