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Juros da dívida continuam em queda

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos prosseguem a trajetória de descida desde meados de março e estão em mínimos desde 28 de fevereiro

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português a 10 anos fecharam a semana no mercado secundário da dívida em 3,88%, o nível mais baixo desde 28 de fevereiro e inferior ao limiar dos 4%, que parecia ser o novo 'normal' no prazo de referência. Desde final de março, desceram nove pontos base, prosseguindo a trajetória de queda registada desde 16 de março.

Tratando-se da nova linha obrigacionista lançada em janeiro pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) que vence em abril de 2027, as yields recuaram 35 pontos base em relação à taxa de 4,227% que foi paga aos investidores na operação de sindicação realizada então pelo IGCP.

A semana foi caracterizada no mercado secundário por uma descida das yields das obrigações dos países do euro naquele prazo de referência, com destaque para uma queda de 13 pontos base no caso grego e 10 pontos base no caso das Bunds (designação das obrigações alemãs).

Incumprimento grego parece estar afastado

O recuo no caso das obrigações helénicas deveu-se ao resultado positivo da reunião informal do Eurogrupo em Malta na sexta-feira. Apesar do processo do segundo exame ao terceiro resgate grego não ter sido, ainda, concluído, os ministros das Finanças do euro deram luz verde na sexta-feira ao regresso dos chefes de missão dos credores oficiais a Atenas para fecharem um acordo técnico com base nos pontos de compromisso obtidos em reuniões em Bruxelas durante a semana.

A probabilidade de uma nova crise na Grécia, que elevasse o risco de um incumprimento face ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Central Europeu (BCE) em julho, parece estar afastada. Os juros das obrigações gregas a 10 anos desceram para 6,86%, um mínimo desde o início de janeiro. A bolsa de Atenas registou uma subida de 1,5% na sexta-feira.

BCE não altera política expansionista

A pressão geral sobre os periféricos do euro desceu esta semana em virtude das declarações de Mario Draghi, presidente do BCE, numa conferência em Frankfurt na quinta-feira, afastando qualquer sinal de mudança na orientação da política monetária que tem permitido manter os juros da dívida pública da zona euro no mercado secundário em níveis historicamente baixos.

A divulgação no mesmo dia das atas da reunião do conselho do BCE de 8 e 9 de março reforçou o tom das declarações de Draghi. Apesar de terem desaparecido os riscos de deflação, é prematuro mexer na política monetária expansionista. Mudanças na orientação poderiam levar a um movimento altista indesejável nas taxas de juro no mercado e a um aperto nas condições financeiras, lê-se nas atas.

Portugal regressa ao mercado da dívida na próxima quarta-feira com dois leilões de dívida obrigacionista a vencer em 2022 e 2025. O IGCP ainda não decidiu 'testar' em leilão a nova linha de OT a 10 anos (a nova referência) lançada em janeiro.

A agência canadiana de notação DBRS publicará a sua decisão sobre a dívida de longo prazo portuguesa a 21 de abril, já depois do fecho dos mercados na Europa, mas os analistas não consideram que haja qualquer risco de corte no rating de Portugal para 'lixo financeiro' (nível especulativo).