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Bancos intensificam execuções

Joe Berardo já foi alvo de execução de dívidas por parte 
da CGD. Segue-se o BCP?

Antonio Pedro Ferreira

O BCP tem sido um dos bancos mais ativos na execução a grandes devedores. Novo Banco e CGD também têm atuado

Joe Berardo arrisca ser o próximo na lista de execução de dívidas por parte do BCP. É um cenário que já foi equacionado. Em causa está sobretudo o financiamento para a compra de ações do banco durante a guerra de poder que colocou em confronto vários acionistas e administradores. O banco terá financiado Joe Berardo e a Metalgest em cerca de €400 milhões, um valor que entretanto se terá vindo a reduzir. Aliás, Berardo já chegou a ter 7% do capital do BCP (2009), hoje não tem sequer uma participação qualificada. Em 2013, já só tinha 2,53%. Contactados pelo Expresso, nem o empresário nem o BCP quiseram comentar.

Em agosto a CGD deu entrada no tribunal da Comarca do Funchal com uma ação de execução contra o empresário madeirense. A execução ascende a €2,9 milhões, e decorre também de um financiamento para compra de ações do BCP. O banco público, que indiretamente também esteve envolvido na guerra, terá emprestado a Berardo igualmente cerca de €400 milhões. São financiamentos com uma década.

O BCP tem sido desde há algum tempo, um dos bancos credores mais ativos na colocação de ações em tribunal para cobrar dívidas. Esta semana avançou sobre a Domuslisboa, uma imobiliária detida por Hélder Bataglia e Luís Horta e Costa. Uma ação de execução, no valor de €14 milhões, que visa também Pedro Ferreira Neto. O gestor disse ao Expresso que já não está na empresa em 2015. Trata-se do financiamento de um projeto imobiliário na Polónia em 2007, mas que nunca chegou a arrancar. A Domuslisboa tem participações nas empresas Immoinvest, Krakow City Park e Real Consulters, e apesar de gerar grande parte da sua faturação em Portugal, está em falência técnica, com capitais próprios negativos de €6 milhões.

Luís Horta e Costa, presidente da Domuslisboa, assegura que o diferendo com o BCP “está a ser resolvido”, e acredita que a ação de execução em breve será retirada. “Vamos pagar o mais rápido possível, através da venda das participações na Polónia”, afirmou o gestor. Mas mesmo isso poderá não chegar. Nas contas de 2015, o auditor expressava reservas quanto aos ativos da empresa. Hélder Bataglia não quis comentar.

As ações de execução dizem normalmente respeito a créditos antigos, difíceis de recuperar e com garantias frágeis (ações), insuficientes ou mesmo por vezes inexistentes. Os bancos mais pressionados, e atualmente com um quadro de acionistas muito diferente do que tinham há dez anos, começam a ter uma abordagem mais ativa. O resultado da execução nem sempre é positivo, mas tende a acelerar o acordo de pagamento. Em alguns casos, a penhora chega tarde demais (ver texto em cima). A CGD, o BCP e o Novo Banco são as instituições bancárias que têm a maior carteira de crédito problemático concedido a grupos empresariais. Hoje, algumas destas empresas estão a viver dificuldades ou encontram-se mesmo em fase de liquidação.