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REN compra distribuidora de gás natural da EDP por mais de 500 milhões

Rodrigo Costa é o presidente executivo da REN

Jose Ventura

Com este negócio, a EDP deixa de distribuir gás na Península Ibérica, uma vez que também recentememnte vendeu a empresa de distribuição de gás que tinha em Espanha. Mas continua a vender o gás ao consumidor final. Aliás, garante que não haverá qualquer impacto nesse negócio

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A Redes Energéticas Nacionais (REN) chegou esta sexta-feira a acordo com a EDP para comprar 100% do capital da EDP Gás, anunciou a empresa em comunicado. Confirma-se, assim, a notícia avançada no início de março pelo Jornal Económico e que, a semana passada, na apresentação dos resultados anuais, o CEO Rodrigo Costa se escusou a comentar.

De acordo com a empresa, esta operação está avaliada em 532,4 milhões de euros e vai obrigar a REN a recorrer a linhas de crédito e ainda a fazer um aumento de capital de até 250 milhões de euros para financiar a compra.

"O conselho de administração aprovou uma estrutura de financiamento da aquisição que inclui o recurso a linhas de crédito e a um aumento do capital social da REN por novas entradas em dinheiro. Tal aumento de capital terá um encaixe previsto de até 250 milhões", pode ler-se no comunicado.

A empresa explica ainda que esse aumento de capital será feito através de "uma oferta pública de subscrição", sendo que os accionistas terão direito de preferência, e garante que se enquadra "rigorosamente dentro dos critérios de disciplina financeira da empresa", pode ler-se no mesmo documento.

“Esta operação é uma oportunidade única de investimento em Portugal e está alinhada com o nosso objetivo de criar valor e garantir a sustentabilidade da empresa a médio e longo prazo. Dadas as características deste projeto o nosso perfil de risco manter-se-á inalterado. A nossa massa crítica de conhecimento técnico ficará reforçada, algo que num mundo em grande evolução tecnológica constitui uma mais-valia crítica que, por sua vez, reforça as competências da REN e de Portugal no setor da energia”, disse o CEO, Rodrigo Costa.

Com este investimento, diz ainda a REN, a empresa "incorpora um ativo relevante no mercado nacional de distribuição de gás natural com potencial de crescimento, dadas as características demográficas e económicas da região de concessão", nste caso a região litoral norte.

É que a EDP Gás é a empresa responsável por desenvolver e gerir a rede de distribuição de gás natural em 29 concelhos dos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo, totalizando 329 mil pontos de abastecimento e uma rede de distribuição de 4.460 quilómetros.

São estes activos que agora passam para as mãos da REN e que fazem como a EDP deixe de ter qualquer atividade de distribuição de gás natural na Península Ibérica. Isto porque, no final de março, a elétrica portuguesa vendeu a empresa de distribuição de gás em Espanha (Naturgás) por 2,5 mil milhões de euros.

"Com esta transacção a EDP abandona o negócio de distribuição de gás natural na Península Ibérica, o que permitirá reforçar os objectivos de desalavancagem delineados pela EDP, bem como aumentar o nível de integração do modelo de negócio da EDP", disse em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

De fora da operação está, contudo, uma parte da EDP Gás, mais precisamente o negócio de comercialização, ou seja, a venda directa a clientes. Essa área de negócio será retirada do universo da EDP Gás onde estava até agora e antes de fechada a venda à REN porque, por questões regulatórias, a REN não pode deter nenhuma empresa de venda de eletricidade ou gás.

Assim, esse negócio permancerá no universo do grupo EDP e segundo a elétrica "não haverá qualquer impacto na relação da EDP com os clientes de gás natural em Portugal".