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Conduril. Receita e lucros em forte queda

Benedita Amorim Martins conduz há oito anos a construtora da família

Lucília Monteiro

A construtora das irmãs Amorim Martins ressente-se do ambiente adverso em África

A Conduril, a única construtora portuguesa com liderança no feminino (Benedita Amorim Martins), escapa sem danos de maior à crise generalizada que atormenta o sector, mas o seu desempenho não fica imune ao ambiente adverso em que se move no continente africano.

Em 2016, a produção (146 milhões de euros) registou uma queda de 25%, ficando muito longe da cifra habitual, na casa dos 200 milhões. Se a exploração operacional resistiu (29 milhões), os lucros ressentiram-se e desceram para 4,2 milhões. No triénio 2012/2014, a Conduril gerara um acumulado de lucros de 90 milhões de euros.

Ainda assim, a construtora da família Amorim Martins vai distribuir 900 mil euros de dividendos (50 cêntimos por ação). O acionista BPI arrecadará 90 mil euros.

Dívida líquida regressa

Em 2016, a Conduril voltou a ter dívida (37 milhões de euros), depois de dois exercícios atípicos em que tinha mais cash do que empréstimos, resultando daí uma dívida líquida negativa.

A explicação para esta reviravolta está em Angola e no atraso do pagamento de um projeto no âmbito do programa de fomento da exportações portuguesas que contava com garantia do Estado e um seguro de crédito da Cosec.

O atraso da operação forçou a construtora "a um esforço financeiro acrescido, afetando severamente o resultado líquido", refere a empresa. Mas, o pagamento, já autorizado pelo Governo português, está para breve.

África pesa 80%

Angola (68 milhões de euros) permanece como o principal mercado da Conduril, que realiza em África 80% da sua receita. Em Cabinda, a reabilitação (2015/18) do porto de Malongo para a Chevron é uma das obras (130 milhões) que atenua a escassez de novas empreitadas.

Em 2014, o mercado português fixou o mínimo de 7% e foi recuperando preponderância com obras como o centro materno-infantil do Porto (já concluída), estradas da concessão do Baixo Alentejo ou a duplicação do túnel de Águas Santas da autoestrada Porto-Amarante, adjudicada pela Brisa por 15 milhões de euros.

Moçambique (15 milhões) e Zâmbia (12,4 milhões) são os outros mercados relevantes da construtora que está ativa ainda no Senegal, Zâmbia, Malawi e Gabão. O Gabão foi o último país a figurar na lista (2015), depois de uma estreia com uma obra hidráulica (canal de drenagem) de 18 milhões de euros na capital do país.

Carteira de 385 milhões

No relatório de 2016, Benedita Amorim Martins reconhece que "a redução do investimento em infraestruturas" e as fracas estimativas de crescimento nos mercado em que a construtora opera "continuarão a condicionar a atividade". A construtora declara uma carteira de 385 milhões de euros que sustentam a previsão de uma produção em 2017 superior a 2016.

A construtora escrutina, em permanência, "novas oportunidades à escala mundial", mas concentra energias em especial na região da América Latina. A engenheira Benedita conta com a irmã Maria Luísa como principal braço direto na condução da empresa fundada por seu pai.