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11,8% do crédito bancário é de cobrança duvidosa

Luís Barra

O sistema bancário português tem mais depósitos do que empréstimos, revela um balanço do Banco de Portugal. A rendibilidade está em mínimos

No fim de 2016, o crédito de cobrança duvidosa no sistema bancário português representava 11,8% do crédito concedido. Este valor traduz uma redução ligeira (0,8%) face ao trimestre anterior e, segundo o Banco de Portugal (BdP), reflete o desenvolvimento favorável no crédito às empresas e da redução do crédito de risco face ao volume total. A evolução favorável do rácio "foi transversal" aos segmentos da habitação, crédito ao consumo e empresas.

O crédito em risco concentra-se no tecido empresarial (19,7% do volume concedido). No financiamento à compra de casa, o crédito em risco mantém-se nos 6% e no crédito ao consumo é de 14,5%.

O rácio de cobertura do crédito problemático subiu na generalidade dos segmentos, variando entre os 80% no caso das empresas e crédito ao consumo e os 33% no crédito à habitação.

Mais depósitos do que empréstimos

O relatório do BdP sobre a evolução do sistema bancário, divulgado esta quinta-feira, analisa a evolução do gap comercial (diferença entre créditos e depósitos) e revela que o rácio de transformação é já inferior a 100%. Em 2011, a relação entre empréstimos e depósitos era de 135%.

Ainda assim, o rácio de transformação aumentou ligeiramente no 4.º trimestre de 2016, terminando o ano em 96%. Por cada 96 euros que empresta, o sistema bancário tem 100 euros de depósitos. No conjunto do sistema, este gap é favorável aos depósitos em nove mil milhões de euros, um valor semelhante ao de 2015.

No último trimestre de 2016, o recurso ao financiamento de bancos centrais voltou a diminuir, passando a representar 6,4% (24,7 mil milhões) do total do ativo do sistema bancário. É o valor mais baixo desde o início do programa de assistência da Troika.

Rentabilidade em mínimos

O balanço do BdP deixa claro que o sistema bancário tem um grave problema de rentabilidade, com os indicadores a atingirem, pela primeira vez, valores negativos. O banco central regista que no fim de 2016 os indicadores que medem a rentabilidade dos capitais próprios (-8%) e do ativo (-0,6%)) sofreram quedas acentuadas, depois de terem fechado o trimestre anterior na parte positiva do gráfico.

O BdP assinala ainda que, na parte final do ano, o sistema fez um "reforço significativo das imparidades para crédito", levando a que a rentabilidade atingisse valores negativos no conjunto do ano. O desempenho foi afetado "pela queda expressiva de resulados com operações financeiras de natureza não recorrente" e pelo aumento das imparidades.

A margem financeira permaneceu inalterada face a 2015. A redução da receita com juros acompanhou a queda dos encargos.

O ativo total do sistema bancário manteve-se em modo de redução,suportada em especial pelo crédito. No fim de 2016, o ativo total (386 mil milhões de euros) diminuiu 5,3% face a 2015.

Esta evolução decorre "da redução dos empréstimos a instituições de crédito e a clientes e da exposição a títulos de dívida".