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Alojamento local em Lisboa criou 8000 empregos em 2016

A região de Lisboa representa 25% da oferta de alojamento local a nível nacional. O estudo para o Porto já está em desenvolvimento

António Bernardo

Sector movimentou €1000 milhões na área metropolitana em 2016, diz estudo da AHRESP

Marisa Antunes

Jornalista

O alojamento local (AL) na região da grande Lisboa, movimentou cerca de €1000 milhões e criou 8000 postos de trabalho diretos e 13 mil indiretos em 2016. A estimativa é uma das conclusões preliminares apuradas num estudo que está a ser desenvolvido pelo ISCTE, através do departamento Marketing FutureCast Lab, para a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP).

Este trabalho, que só deverá estar terminado em finais de maio derivou do desenvolvimento do estudo “Qualificação e Valorização do Alojamento Local” que a AHRESP divulgou recentemente e que o ISCTE está agora a aprofundar.

“Estamos a fazer um estudo adicional que pretende ser uma análise prospetiva dos custos e benefícios económicos do mercado do alojamento local. O que apurámos até ao momento são ainda dados provisórios que vão ser consolidados mas há já uma estimativa na ordem dos €1000 milhões de volume de faturação movimentados no sector”, adianta Hélia Gonçalves Pereira, investigadora do ISCTE e responsável pela coordenação do estudo da AHRESP.

O estudo, que se encontra ainda na fase de apuramento dos benefícios económicos, partiu da amostra de 660 empresários do sector que detêm 1777 imóveis na Área Metropolitana de Lisboa (AML), base do trabalho inicial, a que se juntaram outros dados do Banco de Portugal, INE, Turismo de Portugal, entre outras instituições.

“São 1000 milhões que se imputam não só a benefícios diretos como é o caso das reservas pagas pelos turistas mas também os indiretos, onde se incluem os gastos feitos na restauração, no retalho, nos transportes, ou numa outra vertente, os pagamentos a serviços de limpeza, de contabilidade ou para projetos de arquitetura nas casas que são reabilitadas e ainda os fiscais no âmbito do IRS, IRC e segurança social pagos pelos empresários”, explica Hélia Pereira.

Quem são os donos
 do alojamento local?

A maioria (59%) tem entre 35 e os 54 anos predominam os licenciados (68%) e, considerando o conjunto de 660 inquiridos, em quase 59,4% dos casos, a gestão do AL é a sua principal atividade económica. 20% destes empresários é detentor de apenas um imóvel de AL sendo esta a situação mais frequente. Se a contabilidade for feita por número de camas constata-se que 50% dos proprietários tem menos de 18 para oferecer aos turistas.

Estas são algumas das conclusões do estudo “Qualificação e Valorização do Alojamento Local” que apurou ainda que os empresários têm perspetivas muito otimistas quanto à recuperação do investimento efetuado, já que, independentemente do montante investido, cerca de 53% dos empresários acredita que necessitarão de menos de um ano para que tal aconteça. 78% apontam três anos como o prazo máximo para que isso aconteça. “Talvez por isso, 99% dos respondentes pretende manter esta atividade no futuro e, por isso, também pretendem reforçar os investimentos nos próximos dois anos, na perspetiva de uma maior qualificação e valorização dos seus imóveis”, diz Ana Jacinto, presidente da AHRESP.

Para quase metade dos inquiridos (45%) o investimento não excedeu os €10 mil mas pelo menos 50% elevou a fasquia para os €20 mil para reconverter os seus imóveis.

O grande objetivo da AHRESP é profissionalizar um sector que parece estar para durar, pelo menos nos anos mais próximos — um estudo do Reino Unido fala de um ponto de maturidade entre os cinco e os sete anos para este mercado, com as devidas ressalvas para cada país.

“Nesse sentido, criámos o programa Quality que já estamos a aplicar no mercado de AL de Mafra, do qual fizeram parte nesta experiência-piloto cerca de 70 unidades. Basicamente, o programa Quality é uma ferramenta que permite verificar se todos os requisitos para o funcionamento de uma unidade de alojamento local estão a ser cumpridos quer os que resultam da lei, quer outros opcionais que têm causado alguma perturbação junto da população portuguesa como é a gestão do ruído ou dos resíduos urbanos, por exemplo”, especifica a responsável da AHRESP.

Quem cumprir, recebe um diploma que pretende ser um selo de garantia de boas práticas não só legais e fiscais mas também ambientais e de convivência.