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Março com tendências divergentes nos juros dos periféricos do euro

Juros da dívida desceram no mês que findou para Portugal, Grécia e Espanha e subiram para Itália, Irlanda e França. Custo da dívida portuguesa a 10 anos registou segunda maior descida na zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

O custo de financiamento da dívida portuguesa a 10 anos desceu 22 pontos base em março com as yields das Obrigações do Tesouro naquela maturidade a fecharem o mês abaixo de 4% no mercado secundário. As yields naquele prazo de referência desceram de 4,19% no final de fevereiro para 3,97% no encerramento de março.

Na zona euro, no mês que hoje findou, foi a segunda maior descida nas yields no prazo de referência, depois da Grécia (que registou uma queda de 26 pontos base). Também, as yields das Obrigações espanholas a 10 anos desceram em março, mas caindo apenas seis pontos base.

A esperada saída de Portugal do procedimento de défice excessivo e a ausência de especulação em torno de um corte de rating da dívida portuguesa por parte da agência DBRS a 21 de abril alimentaram a trajetória descendente das yields a partir de meados de março, neutralizando o impacto negativo do risco das aquisições de obrigações portuguesas por parte do Banco Central Europeu poderem atingir o limite imposto pelas regras antes do final do programa.

As yields das obrigações gregas caíram para menos de 7%, graças às expetativas positivas de que Atenas e os credores oficiais poderiam chegar a um entendimento a nível técnico antes do final da reunião do Eurogrupo de 7 de abril em Malta, abrindo caminho para o fecho do segundo exame ao terceiro resgate até final de abril, depois de negociações de bastidores em Washington aquando da assembleia da Primavera da organização liderada por Christine Lagarde. No entanto, esta sexta-feira, o ainda presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, declarou que o acordo técnico até 7 de abril não seria possível. As dificuldades de convergência permanecem no que respeita ao compromisso de mais cortes nas pensões para além de 2019. Em virtude de estarem previstas eleições legislativas em 2019, os credores oficiais pretendem amarrar também a oposição democrática grega a um acordo deste tipo.

Nos restantes periféricos, Irlanda e Itália, as yields dos títulos a 10 anos subiram em março. A mesma trajetória ascendente registou-se para França e Alemanha. Destaque pela negativa para Itália, com uma subida de 23 pontos base, de 2,09% no final de fevereiro para 2,32% no final de março. Itália continua no radar dos investidores em virtude da evolução da crise bancária e da incerteza sobre o desfecho de eleições legislativas antecipadas caso ocorram. Nas 10 sondagens mais recentes, realizadas nas últimas duas semanas, o Movimento 5 Estrelas eurocético ficou à frente do Partido Democrático do atual primeiro-ministro em nove.

Fruto da subida do custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos e da queda dos juros para as Obrigações do Tesouro português, o prémio de risco desceu 34 pontos base, caindo para 364 pontos base no final de março, o equivalente a um diferencial de 3,64 pontos percentuais. Um prémio que continua muito elevado em relação a Espanha e Itália, apesar de ter encurtado a distância em março.

  • Os juros da dívida a 10 anos estão no nível mais baixo desde o lançamento a 11 de janeiro da nova linha de Obrigações do Tesouro que serve de referência. Retorno da dívida portuguesa em terreno positivo