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Juros da dívida abaixo de 4%

Os juros da dívida a 10 anos estão no nível mais baixo desde o lançamento a 11 de janeiro da nova linha de Obrigações do Tesouro que serve de referência. Retorno da dívida portuguesa em terreno positivo

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos fecharam em 3,958% no encerramento da sessão de 30 de março no mercado secundário da dívida soberana. A abertura na sessão desta sexta-feira continua a registar yields abaixo do patamar de 4%.

Pela primeira vez, desde o lançamento a 11 de janeiro da nova linha de OT com vencimento em abril de 2027 e que serve, agora, de referência a 10 anos, as yields fecharam abaixo de 4%, prosseguindo uma trajetória de queda em quatro sessões consecutivas.

Recorde-se que a nova linha de OT que serve de referência a 10 anos foi lançada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) a 11 de janeiro através de uma operação de sindicação, pagando, então, aos investidores uma taxa de 4,227%. Esta taxa estava 24 pontos base acima das yields da anterior linha de OT com vencimento em 2026 que servia, então, de referência a 10 anos.

A pressão para um custo de financiamento da dívida de longo prazo acima de 4% tem sido originada pelo risco das aquisições de dívida portuguesa no mercado secundário por parte do Banco Central Europeu (BCE) atingirem o limite elegível de 33% do volume de OT emitidas antes do final do programa em dezembro.

Ao contrario do verão e outono do ano passado, o mercado da dívida não tem percecionado o risco de uma alteração para 'lixo financeiro' do rating de Portugal pela agência de notação canadiana DBRS, que comunicará a sua decisão a 21 de abril. A passagem da notação de nível de investimento, ainda que no limite mais baixo, para nível especulativo ('lixo financeiro') colocaria em risco a manutenção da dívida portuguesa no âmbito do programa de aquisição de obrigações pelo BCE. Essa ameaça não está, agora, no radar dos investidores.

O próprio risco de Portugal sair do euro é muito baixo (probabilidade de apenas 1,8%), estando claramente abaixo dos três membros da zona da moeda única com probabilidades mais elevadas: Grécia (12,9%), Itália (9,7%) e França (6%), segundo o índice Sentix

A partir de abril o montante de dívida portuguesa que vai ser comprado mensalmente pelo BCE no mercado secundário vai descer, de novo. O ritmo mensal de aquisições de OT nos dois primeiros meses de 2017 já caiu 40% em relação à média do ano passado. Em fevereiro, o BCE adquiriu €656 milhões. Os valores de março ainda não são conhecidos.

A partir da próxima semana, o BCE vai reduzir em 25% as suas compras globais de ativos na zona euro.

Rentabilidade da dívida portuguesa em terreno positivo

O retorno das Obrigações do Tesouro medido desde início do ano é de 1,4% face a um valor negativo de -1,4% para a dívida do conjunto da zona euro, segundo os índices da Bloomberg. Em final de fevereiro, o retorno da dívida obrigacionista portuguesa medido desde início do ano era negativo, de -1,1%.

No grupo dos periféricos do euro, apenas Grécia e Portugal registam no final de março retornos positivos se avaliados desde início do ano. O índice para a dívida obrigacionista portuguesa tem estado em trajetória ascendente desde 30 de janeiro.

Medida desde início do ano, a rentabilidade para a dívida italiana é de -1.94%, para a irlandesa de -1,16% e para a espanhola de -0,71%. A dívida alemã, que serve de referência, regista um retorno de -0,74% desde início do ano. Em todos estes casos, a rentabilidade piorou em relação ao final de fevereiro.