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Novo Banco. Grandes investidores “nunca aceitarão €600 milhões” de compensação

José Carlos Carvalho

Gigantes internacionais que sofreram perdas com transferência de obrigações do Novo Banco “nunca aceitarão receber 600 milhões de euros” como compensação. E mostram-se surpreendidos com declarações de Mário Centeno. Confirmam a existência de contactos mas "não se pode dizer que há negociações"

O grupo de grandes investidores internacionais, liderado pela BlackRock e a PIMCO, que sofreu perdas com a transferência de obrigações sénior do Novo Banco jamais aceitará receber 600 milhões de euros como compensação e refere que não se pode dizer que estejam a decorrer negociações com as autoridades portuguesas sobre o tema.

A Bloomberg noticiou esta quarta-feira que o governo português e o Fundo de Resolução estão a trabalhar num acordo com o grupo de gigantes mundiais que poderá rondar os 600 milhões de euros.

Segundo aquela agência noticiosa, o ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou numa palestra organizada pela Bloomberg em Londres, que Portugal está a trabalhar para encontrar uma solução.

"Nem pensar que o grupo vai aceitar 600 milhões de euros. Esse é o valor que nos devem legalmente, um valor base", afirmou ao Expresso uma fonte do grupo, que é liderado pela BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, e pela PIMCO, um dos maiores investidores em dívida.

Este é o valor calculado pela consultora Deloitte como sendo o correspondente às responsabilidades com aqueles credores do Novo Banco, que perderam 2.200 milhões com a transferência de cinco linhas de obrigações para o BES 'mau', que ficou com os ativos tóxicos do BES.

A mesma fonte confirma a existência de contactos com as autoridades portuguesas mas aponta que "não se pode dizer que decorrem negociações". Por outro lado, refere ainda que ficou acordado com o Governo português que fosse mantido o sigilo sobre aqueles contactos.

A decisão do Banco de Portugal, a 29 de dezembro de 2015, de transferir aquelas obrigações.deixou em choque o mercado e os investidores, que consideram uma situação inédita a nível mundial.

O grupo emitiu um comunicado na semana passada, que o Expresso avançou em primeira mão, a alertar Portugal para os custos que o país tem estado a ter devido à existência deste conflito.

O comunicado surgiu na altura em que a estatal Caixa Geral de Depósitos fazia uma ronda por investidores internacionais para colocar a sua emissão de dívida perpétua subordinada de 500 milhões de euros, mais uma operação que foi recusada pelo grupo de investidores.

No sábado passado, o Expresso noticiou que o grupo vai manter-se afastado de ativos portugueses até haver um acordo. O grupo estima que, só com a dívida soberana, Portugal terá um custo de 8.200 milhões de euros nos próximos 10 anos pelo facto de existir o boicote do grupo.

O grupo mantém o tema na justiça portuguesa mas admite que poderá levar anos até haver uma decisão. Alega que a decisão do BdP foi discriminatória, já que foram escolhidas a dedo algumas linhas de obrigações detidas por investidores e abrangidas pela lei portuguesa.