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Mira Amaral volta a atacar: EDP tem níveis de rentabilidade “perfeitamente escandalosos”

Luís Forra / Lusa

Antigo governante reiterou esta terça-feira no Parlamento as suas críticas aos ganhos da EDP na produção de eletricidade em Portugal

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O antigo ministro da Indústria e Energia Luís Mira Amaral criticou esta terça-feira no Parlamento os níveis de rentabilidade conseguidos pela EDP na produção de eletricidade em Portugal.

“Os CMEC (custos para a manutenção do equilíbrio contratual), da EDP, têm níveis de rentabilidade perfeitamente escandalosos, com uma taxa de retorno próxima dos 15% ao ano”, afirmou Mira Amaral durante uma conferência sobre energia no Parlamento.

“As utilities alemãs têm tido grandes prejuízos e a nossa EDP não os tem porque está suportada pelos CMEC”, comentou o antigo ministro.

Mira Amaral é há longos anos uma das vozes mais críticas da gestão de António Mexia na EDP, tendo vindo a denunciar as rendas conseguidas pela empresa na produção elétrica.

Em 2012, o antigo secretário de Estado da Energia Henrique Gomes chegou a encomendar um estudo que apontava para a existência de rendas excessivas. No caso dos CMEC (contratos que abrangem a central termoelétrica de Sines e duas dezenas de barragens), o estudo calculava então que havia um retorno superior a 14% ao ano, para um custo médio ponderado de capital (WACC) em torno dos 7%.

As críticas sempre foram rebatidas pela EDP, pondo em causa a credibilidade dos estudos e das contas apresentadas.

Mira Amaral, esta terça-feira no Parlamento, também criticou os ganhos dos produtores eólicos, ilustrando com a diferença de preços a que a EDP Renováveis vende a sua energia em Portugal (com uma receita maior por megawatt hora) e em Espanha (com uma remuneração menor).

“Entre produtores eólicos, EDP e sucessivos governos, gerámos em Portugal um excesso de capacidade”, lamentou, notando que fontes como a energia solar e a biomassa fazem mais sentido no nosso país.