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Número de casas vendidas regressa aos níveis de 2010

José Carlos Carvalho

No ano passado foram vendidas 127.106 casas em Portugal, segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal. Um valor muito próximo do registado em 2010, quando se venderam 129.950 habitações

Em 2016 foram vendidas 127.106 casas, mais 18,5% que no ano anterior. Um número que fica muito próximo do registado em 2010, quando foram transacionadas 129.950 habitações.

Os dados, hoje divulgados pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), indicam ainda que no só no último trimestre do ano passado, foram transacionados um total 34.339 alojamentos familiares, ou seja, mais 4 504 alojamentos do que em igual período do ano de 2015, o que corresponde a um aumento de 15,1%.

Comparando o último trimestre de 2016 com o período homólogo de 2015, a venda de alojamentos novos teve um decréscimo de 5,3% enquanto nos alojamentos usados se registou um aumento de 20%.

Numa análise ainda mais fina, a APEMIP refere que se for feita a comparação do terceiro com o quarto trimestre, “podemos observar que, no total das transações o número de vendas de alojamentos apresentou uma taxa de variação de 8,9%”.

Previsões da APEMIP apontavam para crescimento de 20%

Para o Presidente da APEMIP, Luis Lima “estes números vão ao encontro das estimativas da APEMIP, divulgadas em janeiro deste ano, que apontavam para um aumento de transações de alojamentos familiares na ordem dos 20%”. Recorda que desde há cinco anos, que a APEMIP tem levado a cabo uma monitorização do mercado de compra e venda, estimando a evolução das transações no mercado imobiliário, antes da divulgação dos seus números oficiais pelo Instituto Nacional de Estatística (INE): “temos acertado sempre nas nossas estimativas, apresentando uma margem de erro mínima, o que credibiliza o trabalho de acompanhamento e monitorização que a APEMIP tem feito neste domínio".

Luís Lima refere ainda que “no início de 2016 a minha perspetiva de crescimento era superior àquela que agora se confirma mas, infelizmente, no decorrer do ano deram-se algumas situações que provocaram retração e desconfiança junto dos investidores. Refiro-me por exemplo, à criação de um novo imposto sobre o património, o Adicional ao IMI, e ao problema de credibilidade no que concerne aos atrasos na concessão de vistos de residência, ao abrigo do programa de Autorização de Residência para Atividades de Investimento (Vistos Gold) que espantou os investidores, nomeadamente os chineses, que desconfiam da transparência e segurança deste mecanismo. Se não fossem estes dois casos, creio que o crescimento teria sido ainda maior”.

Mercado pede construção de mais casas

Para 2017, Luis Lima acredita que o crescimento imobiliário se fixe nos 30%, mas diz que é necessário voltar à construção mais imóveis, visto que já há procura para tal, “sobretudo nas grandes cidades onde o stock é cada vez mais diminuto e os preços atingem valores superiores ao que seria desejável”.

Centrando a análise na evolução de preços, de acordo com o INE, o índice de preços da habitação, entre outubro e dezembro de 2016, voltou a registar a taxa 7,6%, face ao mesmo período do ano anterior.

Em 2016, o índice de preços da habitação apresentou uma taxa de variação média anual de 7,1%.

No período em análise – o último trimestre de 2016 -, a taxa de variação homóloga situou-se em 9,2%, para alojamentos usados e 3,5% para alojamentos novos.