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Moody's: bancos portugueses protegidos contra perdas no Novo Banco

O alargamento até 2046 dos empréstimos ao Fundo de Resolução é positivo para os bancos portugueses, diz a agência de ratings Moody's. Frisa que os bancos ficam protegidos de uma venda do Novo Banco com prejuízo

O alargamento dos empréstimos ao Fundo de Resolução é positivo para os bancos portugueses que ficam assim protegidos de uma venda do Novo Banco com prejuízo, diz Pepa Mori, analista da agência de ratings Moody's.

O Fundo de Resolução anunciou no passado dia 21 de março que os empréstimos ao Fundo que serviram para financiar as resoluções do BES em agosto de 2014 e do Banif em dezembro de 2015 foram prolongados até 2046.

É um total de €4953 milhões em dívida que tem como principal credor o Tesouro. Com esta alteração, os bancos têm mais tempo para cobrir as perdas com as operações no BES e Banif através das suas contribuções que, estima o fundo, rondem 250 milhões de euros anuais.

"Este anúncio é positivo para os bancos portugueses porque os protege de uma venda deficitária do Novo Banco", refere a analista numa nota divulgada esta segunda-feira.

"Esta alteração, aprovada pela Comissão Europeia, garante o pagamento na íntegra das responsabilidades com o Fundo de Resolução sem a necessidade de impor qualquer contribuição extraordinária para o sentor da banca, mesmo que surja uma contingência", afirma.

O Novo Banco, que está em processo de venda, recebeu 4.900 milhões de euros de injeção de capital do Fundo de resolução em 2014 que foi em parte financiado por um empréstimo de 4.500 milhões de euros do governo português.

"Atualmente o Fundo deve 3.900 milhões de euros ao governo e se as receitas da privatização do Novo Banco não cobrirem este montante, os bancos portugueses teriam de suportar uma fatia do valor em falta porque são responsáveis por financiar o Fundo de Resolução", lembra a analista da Moody's.

O Banco de Portugal anunciou a 20 de fevereiro que escolheu a empresa de private equity Lone Star Funds para participar numa última ronda de negociações esclusivas para fechar a venda do Novo Banco, o banco 'bom' criado na sequência da resolução do BES.

"É altamente improvável que o Fundo de Resolução vá obter fundos sificientes para pagar o que deve ao governo", refere Pepa Mori.

A decisão de alargamento dos prazos dos empréstimos surge numa altura de aumento das exigências em termos de capital a começar em 2017 que vão forçar os bancos a melhorar os seus níveis de solvabilidade.