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Novo Banco: Marques Mendes diz que venda não está a correr tão bem como anunciou Centeno

O ex-líder do PSD e comentador político refere que Bruxelas só aceita que o Governo fique com 25% do banco se não tiver direito de voto nem intervenção na gestão

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, considera que a venda do Novo Banco, que tem de ser feita até à próxima sexta-feira, 31 de março, não está a correr tão bem como disse o ministro das Finanças, Mário Centeno.

"O ministro disse na quinta ou sexta-feira que estava a correr tudo bem, mas eu julgo que nos últimos dois dias as coisas não estavam a correr assim tão bem, mas pode ser que neste momento estejam a começar a ser ultrapassadas", disse este domingo, no seu habitual espaço de comentário na SIC.

Segundo Luís Marques Mendes "há um problema que se arrasta há já várias semanas". Bruxelas não quer que o Estado português fique com 25% do capital, porque o compromisso assumido há um ano era o de vender 100% e não apenas 75% e porque considera que o Estado não deve ter poder de decisão no banco e não deve interferir na gestão, porque o privado compra e tem de mandar.

Mas dada a urgência de tomar uma decisão, tanto o Governo como Bruxelas vão ter de chegar a uma solução rapidamente e segundo Marques Mendes há três possibilidades. Ou Bruxelas diz que não e bloqueia a venda do Novo Banco e "volta tudo à estaca zero", ou o Governo cede e vende os 100% ou então chegam a um meio termo.

"Eu acho que vai ser um meio termo. Bruxelas recua um pouco e o Governo também recua um pouco. Bruxelas aceita que o Estado fique com uma participação de 25%, mas uma participação sem mandar, sem direito a voto, sem interferência na gestão. Ou seja, impõe condições", disse.

Mas depois gera-se um outro problema, que é o político e como é que os partidos vão reagir a isto, adiantou ainda Marques Mendes. "Aquilo que eu apurtei é que é intenção do Governo reunir com o Banco de Portugal e com partidos na próxima semana para os informar sobre a evolução e o resultado das negociações e se fixzer isso parece-me que faz bem porque é uma matéria que deve ser tratada com consenso. Mas vai gerar polémica".

Marques Mendes comentou ainda a situação no Montepio e descartou a possibilidade de se acontecer o mesmo que se passou com o BES. Para o ex-líder socialista, no Montepio não há financiamentos do Banco à Associação Mutualista e no BES havia financiamentos ao Grupo Espírito Santo (GES). Além disso, está a ser feita uma total separação entre Banco e Associação, na gestão, nos produtos vendidos e agora até no nome. E, por fim, o Banco vai passar a Sociedade Anónima para que se a Associação Mutualista precisar de fazer um aumento de capital e não o puder realizar, então poderão entrar outros accionistas.

Nesse sentido, conclui, "qualquer comparação com o BES é exagerada".