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CEO do Snapchat perde 2000 milhões de dólares em menos de um mês

Steve Jennings

Há um ditado popular que diz “quem tudo quer, tudo perde”. Esta história não é sobre alguém que perdeu tudo, mas sobre um dos homens mais ricos do planeta ter perdido cerca de um terço da fortuna em menos de um mês. Como? Na Bolsa, claro

Martim Mariano

É o problema mais recente da rede social do quadrado amarelo com um fantasma lá dentro e das mensagens que se “evaporam” ao fim de 24 horas (para ser concreto, porque é muito mais do que isso), e em particular do seu dono e fundador Evan Spiegel. Importa dizer que, aos 26 anos, Spiegel é um dos mais jovens multimilionários do planeta. E há pelo menos três mais novos do que ele.

O final de 2016 e o início de 2017 está a ser tudo menos aborrecido para o Snapchat. O último capítulo desta história chama-se Nasdaq e a entrada em Bolsa da rede social tinha de ser assinalada como manda a lei.

Mas depois de uma semana inicial bastante positiva, com o valor de cada ação a chegar aos 28 dólares (25,91 euros) depois de uma oferta pública inicial (IPO) situada nos 17 dólares (15,7 euros), a Snap. Inc, empresa mãe do grupo Snapchat, começou a cair aos trambolhões. Literalmente. E foi uma queda daquelas que devem doer e muito.

No espaço de um mês, o valor de cada ação desceu abruptamente dos 28 para os 19 dólares e, à data da publicação deste artigo, os títulos estavam a ser negociados na casa dos 22 dólares. Pergunta o leitor: “Mas o que é que justifica uma queda assim?”

A resposta é simples e vem na linha do que já tinha acontecido ao Twitter e na linha inversa do que aconteceu ao Facebook. A incapacidade que o Snapchat tem de gerar lucros, aliada ao facto de ser uma rede muito dominada por utilizadores com menos de 30 anos, são os grandes problemas apontados à rede de mensagens instantâneas e que fazem com que os analistas antevejam um caminho muito complicado e sinuoso para a vida da Snap. Inc na Bolsa e fora dela.

Ou seja, o produto não é suficientemente sólido e atrativo para que haja investidores dispostos a arriscar no sempre incrível e imprevisível jogo da Bolsa.

Se juntarmos a isto a impiedosa e despudorada competição que enfrenta por parte do gigante e "papão" das redes sociais – o Facebook de Zuckerberg –então temos uma realidade difícil de enfrentar mas relativamente fácil de entender e que justifica a dúvida que paira sobre o sucesso da “Operação Nasdaq” que Evan Spiegel está a levar a cabo e que tantos prejuízos trouxe ao Twitter, por exemplo.

A par disso, o Facebook continua a copiar e implementar nas suas diversas plataformas – Instagram, Facebook Messenger e WhatsApp – as principais funcionalidades do Snapchat e isso tem ajudado a atrasar o crescimento da empresa de Spiegel. O que levanta a questão do timing desta "jogada" por parte da Snap.Inc e, em particular, de Evan Spiegel.

Ora, o dono da empresa comprou perto de 200 mil ações da Snap.Inc e já perdeu cerca de 2000 milhões de dólares (1854 milhões de euros) desde que a Snap. Inc entrou na bolsa de Nova Iorque, há pouco mais de duas semanas. Traduzido por miúdos, "perdeu" metade da fortuna. Coisa pouca. Contudo, embora pareça pouco provável que isso aconteça nos próximos tempos, as 200 mil ações que comprou devem garantir que não passa necessidades até ao fim... da eternidade. Em caso de necessidade extrema, é só vender tudo.

Claro que a volatilidade é coisa perfeitamente normal na própria existência e vivência das empresas nos mercados, mas convenhamos que 2000 milhões de dólares não deixa de ser uma quantia impressionante. É mesmo muito dinheiro. E se tivermos em linha de conta que Spiegel angariou 3400 milhões (3151 milhões de euros) com a oferta pública inicial, então a coisa ainda fica mais “negra” para o proprietário da Snap.Inc.

A ausência de lucro da empresa – coisa que não acontece com o Facebook, que continua a gerar milhões em receitas e particular em publicidade –, a desaceleração do crescimento em número de utilizadores – sobretudo desde que o Instagram (detido pelo Facebook) lançou, em agosto de 2016, o Instagram Stories – e agora este rombo (ainda que virtual, claro) no orçamento de Spiegel, são a prova provada de que há problemas que não desaparecem (por muito que se queira) num abrir e fechar de olhos. Ou melhor dizendo, não se evaporam ao fim de 24 horas como acontece no Snapchat.

Fontes: "Vanity Fair", TechCrunch, FoxNews, "Fortune"