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A estranha história da idoneidade de João Neves

João Neves não era idóneo para o Banco de Portugal em 2013 mas passou a sê-lo em 2014. Foi o único gestor que transitou da equipa de Tomás Correia para a equipa de Félix Morgado

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

Pode alguém que viu a sua idoneidade para ocupar funções no sector financeiro ser negada pelo Banco de Portugal em 2013 receber luz verde do mesmo Banco de Portugal um ano depois? Pode. O que mudou de um ano para o outro? Três coisas: a opinião do cliente que o acusou; a opinião da entidade que o acusou; e os avaliadores do Banco de Portugal.

Em 4-9-2013, o Banco de Portugal enviou ao Montepio Investimento uma carta registada assinada pelo diretor-adjunto, Pedro Machado, e pelo diretor, Luís Costa Ferreira, pedindo aos órgãos sociais daquela entidade para que “informem por escrito, no prazo de 20 dias úteis, do que tiverem por conveniente sobre a eventual recusa do registo de João Carlos Martins da Cunha Neves como vogal do conselho de administração dessa sociedade”. O motivo da “eventual recusa” da idoneidade de João Neves assentava num relatório do BES relativo a factos ocorridos em 1997 e 1998 quando era subdiretor do Departamento Financeiro Mercados e Estudos daquela instituição. Os factos em causa eram assim discriminados: 1) “a utilização indevida de fundos de um cliente de e para diversas contas no BES e noutros bancos concorrentes, tendo alguns desses fundos chegado a ser transferidos para as contas pessoais de João Cunha Neves e sua esposa junto do BES”; 2) “a emissão de documentos forjados em papel timbrado do BES”; e 3) “a violação de diversos preceitos previstos no Código de Conduta do BES”. Na sequência da investigação, João Neves apresentou a sua demissão do BES em 10-1-2005.

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