Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Comissão apresenta propostas para uma Europa mais digital

Andrus Ansip, comissário europeu para o Mercado Único Digital e vice-presidente da Comissão Europeia

STEPHANIE LECOCQ / EPA

Ministros dos Estados-membros da UE e dirigentes das grandes empresas comprometem-se a reforçar cooperação para aproveitar o potencial da transformação digital da Europa, assumindo compromissos sobre o emprego, computação de alto desempenho, mobilidade conetada e digitalização da indústria

Para combater o desemprego jovem e aproveitar as oportunidades digitais no mercado de trabalho, a Comissão Europeia apresentou um projeto-piloto transfronteiriço de estágios. Este estará disponível a 5.000 ou 6.000 licenciados entre 2018 e 2020, em áreas como a cibersegurança, os megadados, tecnologia quântica. inteligência artificial, marketing digital, entre outras. O objetivo é dar resposta às necessidades digitais no mercado de trabalho: 40% das empresas necessitam hoje de especialistas em tecnologias de informação e comunicação e sentem dificuldades em recrutar.

O projeto-piloto da Comissão - que vai utilizar programas e redes existentes na UE, como a Coligação para a Criação de Competências e Emprego na Área Digital -, pretende avaliar o interesse de estudantes e empresas nestes estágios remunerados com duração de quatro ou cinco meses.

“Se queremos compreender o fosso de competências digitais na Europa, a educação e formação têm de tornar-se uma responsabilidade conjunta entre empregadores, empregados, educadores e policy makers”, afirmou esta quinta-feira o vice-presidente responsável pelo Mercado Único Digital (MUD), Andrus Ansip.

No âmbito das comemorações dos 60º aniversário da assinatura dos Tratados de Roma, responsáveis políticos dos Estados-membros da União Europeia (UE) comprometeram-se, na capital italiana, com várias propostas para uma Europa mais digital. As medidas, apresentadas no Digital Day (Jornada Digital) em Roma e inseridas no contexto da estratégia para o MUD, lançada em maio de 2015, estendem-se a áreas como o emprego, mobilidade, computação de alto desempenho, indústria e serviços públicos.

Os ministros da UE garantiram ainda que vão unir esforços para criar a próxima geração de computação de alto desempenho (que possibilita a análise de milhões de dados em tempo real através de milhares de processadores), com benefícios para áreas como a medicina, a indústria farmacêutica e o desenvolvimento humano. E a apoiar a Nuvem Europeia para a Ciência, disponibilizada a 1,7 milhões de investigadores e a 70 milhões de profissionais na área da ciência e tecnologia.

O projeto irá desenvolver-se na UE a várias velocidades e, numa fase inicial, avança com sete Estados-membros, nos quais se inclui Portugal (além de França, Alemanha, Itália, Luxemburgo, Holanda e Espanha).

Mobilidade, indústria e serviços públicos mais digitais

Outro dos compromissos assumidos estre os Estados-membros e a Comissão Europeia foi a criação de um quadro jurídico para a realização de ensaios transfronteiras de condução conetada. A carta de intenções, assinada pelos países europeus, é a primeira iniciativa dos Estados-membros ao nível da cooperação transfronteiriça para a mobilidade conetada e automatizada.

As iniciativas estendem-se também à indústria e serviços públicos. Com o intuito de tirar o melhor partido da inovação digital em produtos e processos, foi apresentada uma plataforma europeia com iniciativas de digitalização da indústria, doze já existentes e nove futuras. Estimular investimentos conjuntos, cooperação além-fronteiras e entre setores é o que pretendem os sete países signatários, entre os quais Portugal.

Foi igualmente apresentado, e esta sexta-feira publicado, um novo Quadro Europeu de Inoperabilidade, para ajudar as administrações públicas dos países a coordenar os seus esforços de fornecimento dos serviços públicos digitais. A UE pretende garantir que os serviços públicos digitais são mais acessíveis, dentro e fora das fronteiras dos países, facilitando a comunicação entre as pessoas e empresas com as suas administrações e de outros Estados-membros.