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Grandes investidores internacionais fazem aviso a Portugal

O governador Carlos Costa na sede do Banco de Portugal, em Lisboa

Luís Barra

Um grupo de grandes investidores que sofreu perdas com obrigações do Novo Banco, incluindo a BlackRock e a PIMCO, alertam que Portugal continua a pagar a fatura da decisão do Banco de Portugal. E que um acordo seria benéfico para o país

O grupo de grandes investidores a nível mundial que sofreu perdas com obrigações do Novo Banco alerta que o país continua a ser penalizado pela decisão do Banco de Portugal, e refere que um acordo seria benéfico para Portugal.

Este grupo, liderado pela BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, e pela PIMCO, uma das maiores investidoras em títulos de dívida, faz parte do conjunto de instituições que perdeu 2,2 mil milhões de euros com a transferência de cinco séries de obrigações do Novo Banco para o banco tóxico que sobrou do antigo BES.

O aviso surge numa altura em que a Caixa Geral de Depósitos procura angariar investidores para a sua emissão de obrigações perpétuas de 500 milhões de euros, no âmbito do projeto de capitalização do banco público.

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o grupo lembra que “várias destas instituições têm sido grandes parceiros financeiros de longa data do Governo português, entidades financeiras e empresas”. E sublinha que “a ação do Banco de Portugal tem vindo a custar caro ao contribuinte português”.

Na sequência da decisão do Banco de Portugal, a taxa de juro das obrigações soberanas portuguesas disparou para os 4% e o diferencial face à dívida alemã e a outros periféricos europeus aumentou.

“Apesar do progresso económico substancial alcançado pelo atual Governo português, a reputação e credibilidade do país foram tão gravemente danificadas que os custos de juros da sua dívida soberana serão muitos milhares de milhões de euros mais elevados do que teriam sido se o Banco de Portugal não tivesse tomado esta decisão imprudente”, pode ler-se no mesmo comunicado.

Diz ainda que “os bancos portugueses também têm as consequências da decisão sob a forma de custos de empréstimo recorde”. “Um acordo traria benefícios substanciais para a reputação de Portugal e para o contribuinte português sob a forma de menores custos de empréstimos para o soberano e o sector bancário. As instituições afetadas procuram uma conclusão atempada e construtiva para este assunto", diz a nota.

Decisão inédita

A decisão do Banco de Portugal, classificada como inédita e polémica, foi tomada a 29 de dezembro de 2015 como forma de reforçar o capital do Novo Banco e ajudar à sua venda. E apanhou os gigantes mundiais e os mercados financeiros de surpresa.

O grupo de investidores, que representa cerca de dois-terços dos 2,2 mil milhões de euros de perdas sofridas com aquela decisão no final de 2014, tem em curso ações contra a o Banco de Portugal e o Novo Banco na justiça portuguesa.

Em comunicado, o grupo de investidores mantém a alegação de que a decisão do Banco de Portugal foi “illegal e discriminatória”, já que as referidas series de obrigações abrangem apenas grandes investidores institucionais estrangeiros.

“Esta decisão arbitrária e injustificada provocou perdas de cerca de 1,5 mil milhões de euros a investidores do retalho e pensionistas que confiaram as suas poupanças ao grupo de instituições que o Banco de Portugal decidiu prejudicar”, refere a nota.