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Paços de Ferreira procura costureiras para o mobiliário

Concelho precisa de 200 costureiras para continuar a fazer sofás e estofos. “É um problema grave”, diz a associação empresarial local

"Paços de Ferreira tem um problema grave. Não tem gente para trabalhar", afrma o presidente da Associação Empresarial de Paços de Ferreira (AEPF) Rui Carneiro, apontando um défice imediato de 200 costureiras para a confeção de sofás e estofos de cadeiras.

Num encontro com os jornalistas, no Porto, para apresentar a 48.ª Capital do Móvel e alguns novos projetos do sector do mobiliário, o dirigente associativo referiu que o segmento dos sofás e estofos cresceu 50% em Paços de Ferreira, o que deixou as empresas com dificuldades na contratação de costureiras.

Neste momento, os salários desta categoria profissional rondam os 800 a 900 euros, diz Rui Carneiro, apostado em organizar novas ações de formação para esta e outras profissões, até porque a taxa média de empregabilidade ronda os 75% chegando em alguns casos aos 100%, e os projetos de formação profissional são uma das principais fontes de receita da associação.

Desde 2014 na presidência da AEPF, Rui Carneiro está também a trabalhar com a sua equipa na organização de um conjunto de iniciativas que procuram reposicionar e puxar pela imagem da Capital Europeia do Móvel e atrair novos designers para a indústria do mobiliário,

Uma das ações, em parceria com a Câmara local, é a Best Furniture in the World. Aqui, os designers de 15 marcas nacionais e internacionais, da Galp à Philips, BP ou Vodafone foram convidados a desenhar peças de mobiliário que a indústria do concelho, numa prova de flexibilidade e capacidade de trabalho à medida, tornará reais para expor no Porto, em Lisboa e, também, em Paris.

Na onda do turismo industrial

Outra aposta do concelho é aproveitar a onda do turismo que está a agitar o Porto, abrir as portas das suas empresas ao turismo industrial, e, assim, conquistar, também, novos clientes em todo o mundo.

A Feira Capital do Móvel, que movimenta 20 mil visitantes, 75 a 100 expositores e negócios no valor de um milhão de euros por edição (a próxima começa a 1 de abril) é para continuar, mas a AEPF procura um modelo mais dinâmico para dar vida nova ao certame e aproveitar o espaço total de exposição das suas empresas, onde contabiliza mais de um milhão de metros quadrados de área.

Nesse sentido, o concelho começa a trabalhar formatos de comunicação como o convite a potenciais clientes entre lojas e centrais de compras da Alemanha e do Reino Unido, dois dos seus principais mercados, a visitarem Paços de Ferreira e as suas fábricas de mobiliário,

No seu conjunto, as exportações portuguesas de mobiliário e colchoaria somaram 1,7 mil milhões de euros em 2016, mais 8% que no ano anterior. Paços de Ferreira, que tem uma fatia de 13% neste número, viu as vendas ao exterior das suas empresas crescerem 11,6% nos últimos cinco anos, espera crescer 125 milhões de euros em três anos e quer chegar a 2020 com exportações de 355 milhões.

"Exportamos 80% do que produzimos e exportamos, em média, 25 milhões de euros por mês", refere Rui Carneiro, sublinhando que o sector do mobiliário e colchoaria responde por 59% das exportações do seu concelho.

Acertas as contas

A AEPF chegou, também, a acordo com a Caixa Geral de Depósitos sobre a renegociação da sua dívida, no valor de 1,6 milhões de euros, relativa, na sua maioria ao financiamento de obras no pavilhão de feiras e exposições do concelho. A concretização do acordo não prevê perdão de dívida, mas contempla uma redução superior a 60% no valor da mensalidade a pagar nos próximos dois anos.

Com um orçamento anual de 1,7 milhões de euros, a AEPF chegou, ainda, a acordo com a Câmara de Paços de Ferreira para a regularização de uma dívida da autarquia, no valor de 455 mil euros, relativa a um contrato de arrendamento do parque de exposições. Neste caso, a Câmara paga à associação um subsidio anual de 100 mil euros nos próximos cinco anos.