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CAP acusa Governo de não atacar problemas da floresta

Marcos Borga

Ao passar competências de gestão florestal para as autarquias, a Confederação dos Agricultores de Portugal diz que o Governo pode estar a permitir que aconteça o mesmo que aconteceu ao urbanismo a nível nacional. Em vez de uma política territorial, haverá uma por cada autarquia

A reforma da floresta, que esta terça-feira está a ser discutida em Conselho de Ministros extraordinário, em Sintra, “não ataca os problemas dos incêndios florestais, agrava o desordenamento dos espaços florestais e fragiliza a economia do sector, pois promove o abandono florestal”.

É assim que a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) classifica o ‘pacote’ de medidas de apoio à floresta que o Governo deverá aprovar em Sintra. João Machado, presidente da CAP, assegura que os principais objetivos de relançamento do sector florestal não serão atingidos com as medidas governamentais.

Em conferência de imprensa realizada na sede da CAP, em Lisboa, o dirigente acusa o Governo de estar a agravar o desordenamento dos espaços florestais e a fazer com que o Estado se demita da sua função de coordenação da política florestal, empurrando essa incumbência para as 278 autarquias em cujos territórios existe floresta atualmente. “Na prática, o país vai deixar de ter uma política florestal para passar a ter 278”. Mas com uma agravante: “o que é que nos garante que não vai acontecer à floresta o mesmo que se passou no domínio do urbanismo, há muitos anos da competência das autarquias?”.

Há um preconceito ideológico em relação ao eucalipto

Por outro lado, João Machado diz que em relação ao eucalipto, cuja área de cultivo foi congelada, o que se passa é que se está a “lavrar em cima de um preconceito ideológico. Um dos partidos que apoia o Governo acha que não se devem plantar mais eucaliptos em Portugal e nem sequer admite discutir a questão”.

E, na verdade, segundo o presidente da CAP, o que se passa é que com esta medida de proibir a extensão da área de eucalipto Portugal vai ter de importar mais cerca de 190 milhões de euros daquela matéria-prima, “com a agravante de ser de pior qualidade que a que é produzida em território nacional”.

João Machado assegura que esta medida é um claro desincentivo ao investimento e não acredita que alguém vá plantar pinheiros ou sobreiros em terras que tenha disponíveis, sabendo que com o eucalipto poderia ter uma rentabilidade muito superior.

O problema da prevenção e combate aos incêndios, “esse, continua por resolver”. E, garante, “não tenho a mínima dúvida de que no próximo verão – caso haja conjugação de fatores climatéricos adversos – vamos ter mais uma época catastrófica para o sector florestal, pois nada está a ser feito para o impedir”.