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Tomás Correia não se demite da dona do Montepio

Lu´´is Barra

Associação Mutualista reage (de novo) a (novas) notícias relacionadas com investigações ao banco Montepio e à Associação Mutualista. Tomás Correia diz que abandona funções se e só se alguma decisão judicial que o ponha em causa transitar em julgado. Até essa altura, que nunca será brevemente, não se demite

"Se alguma vez se colocar a possibilidade de transitar em julgado algo a meu desfavor, em qualquer tribunal, por quaisquer atos ilícitos, abdicarei do exercício das minhas funções." Tomás Correia esclarece assim, em comunicado divulgado na manhã desta segunda feira, que está de pedra e cal na Associação Mutualista, apesar das diversas investigações em que é visado.

Este comunicado indicia que, mesmo que o Banco de Portugal venha a condenar a sua atuação, Tomás Correia recorerá da decisão para os tribunais. Tendo em conta os prazos quer dos processos do Banco de Portugal, quer dos tribunais e dos vários recursos possíveis, poderão passar anos até que uma possível condenação transite em julgado.

Tomás Correia diz-se inocente de todas as suspeitas que têm vindo a público. "Estou profundamente convicto e seguro de que isso [uma condenação em tribunal] não vai acontecer. Estou tranquilo relativamente ao desfecho destas, e de outras acusações que me foram dirigidas.”

O presidente da Associação Mutualista, que é dona do banco Montepio, instituição que Tomás Correia antes liderou, atribui segundas intenções as várias notícias que têm vindo a ser publicadas nas últimas semanas. “Não é difícil contextualizar as notícias num momento em que se questiona a separação da Caixa Económica do património que pertence aos associados da Associação Mutualista. É precisamente para nos batermos contra esse tipo de correntes, que em nada favorecem o bom nome do Montepio e dos trabalhadores e gestores que aqui trabalham, que levarei até ao fim o mandato que me foi confiado, ao serviço de todos os associados do Montepio.”

Várias notícias nas últimas semanas, designadamente no Expresso, no "Público" e no "Jornal de Negócios", têm revelado informações sobre dúvidas dos auditores sobre as contas do banco Montepio e sobre necessidades de reforço de capital da Associação Mutualista. Além disso, Tomás Correia é arguido em dos processos que estão a ser investigados no Ministério Público. O "Negócios" avança na sua edição desta manhã que Tomás Correia é "acusado de ajudar GES”, num processo do Banco de Portugal.

"O Banco de Portugal acusou Tomás Correia e mais oito antigos responsáveis da Caixa Económica Montepio Geral por, entre outros factos, terem financiado o Grupo Espírito Santo numa altura em que o universo liderado por Ricardo Salgado já enfrentava notórias dificuldades financeiras", escreve o "Negócios". O jornal informa "que os nove ex-gestores e antigos membros do conselho geral e de supervisão da caixa económica são acusados de várias contra-ordenações especialmente graves, arriscando ser condenados a pagar coimas que podem chegar a quatro milhões de euros."

É na sequência desta notícia que a Associação Mutualista emite esta segunda-feira um novo comunicado. "Uma vez que se trata de matéria sujeita a sigilo, não é possível publicamente contrapor as matérias de facto da acusação, reduzindo o devido espaço para esclarecimento", lê-se na nota. Que adita que "a atitude e o carácter [de Tomás Correia são] as únicas formas de ajudar a esclarecer e a afirmar o direito ao contraditório".