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Faltam casas 
para arrendamento 
em todo o país

Não é só em Lisboa e no Porto que a procura pelo arrendamento é muito superior à oferta. Em Évora há cada vez menos stock neste mercado com impactos diretos nos preços praticados

Foto Nuno Fox

Tendência Em várias cidades do país, arrendar uma habitação é hoje uma tarefa complicada. Rendas médias nacionais subiram 3,7%

Helena C. Peralta

Portugal tem, histórica e culturalmente, uma forte propensão para a aquisição de habitação própria, o que nos torna, segundo dados da consultora CBRE, divulgados no ano passado, o segundo país do mundo com a maior taxa de proprietários de imóveis, que atinge praticamente os 75%, só sendo ultrapassado pela vizinha Espanha. Ora, como alerta Ricardo Sousa, presidente da rede Century 21 Portugal, isto levanta uma questão muito complicada no mercado imobiliário, pois as novas gerações têm mais propensão para a mobilidade e preferem arrendar, ao contrário dos seus pais e avós. “Há um sério problema de oferta de casas para arrendamento, que é transversal a todo o país, mas que afeta sobretudo as zonas urbanas, onde existam centros universitários ou hospitalares e onde a procura é largamente superior à oferta”, refere Ricardo Sousa. Rosalva Fonseca, da rede Dom Senhorio, diz mesmo que grande parte dos imóveis para arrendamento — sobretudo em Lisboa — nem chegam a ser publicitados pelas agências (nos casos que envolvem profissionais do sector) pois quando aparecem já há uma lista de interessados que pode muito bem chegar aos 50 ou 60.

Miguel Poisson, diretor-geral da ERA Portugal, confirma esta tendência e explica que esta crescente procura se iniciou sobretudo a partir de 2014, por um lado devido à dificuldade — que já vinha sentindo desde 2008 —, em conseguir crédito à habitação, e por outro lado devido à oferta turística proporcionada pelo fenómeno do ‘alojamento local’. “Quanto maior o interesse dos investidores em alojamento local, mais difícil se torna arrendar casa para habitação permanente. Um T2 em Lisboa que se arrendava normalmente por €800 ao mês, está agora nos €1200, sobretudo se o contrato de arrendamento tiver uma cláusula que autorize o subarrendamento”, revela. Daí que a oferta para arrendamento tradicional seja cada vez mais escassa.

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