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Banco de Portugal analisa operação montada para ‘maquilhar’ contas

FOTO ALBERTO FRIAS

Félix Morgado propôs uma operação criativa em 2016 envolvendo a participação do Montepio numa empresa de minas para obter uma mais-valia e melhorar as contas

A administração do banco Montepio, liderada por José Félix Morgado, tentou em 2016 montar uma operação financeira, envolvendo uma participação que detinha numa empresa de minas, a I’m Mining, que lhe permitiria de forma criativa ‘maquilhar’ as contas e apresentar resultados positivos no terceiro trimestre daquele ano. A operação, cujos contornos evidenciam também conflitos de interesse, foi montada com conhecimento e intervenção de alguns membros da comissão executiva, mas acabou por não ser concluída. Foi vetada pelo Conselho Geral e de Supervisão do banco, depois de questionada pelo auditor, a KPMG. O Banco de Portugal (BdP), sabe o Expresso, já está a par desta controversa operação financeira e está a analisá-la.

O objetivo desta operação, feita na véspera da apresentação das contas do terceiro trimestre de 2016, era obter uma mais-valia de €24 milhões com a venda dos 19% que o banco tinha na I’m Mining a uma empresa criada para o efeito, a Vogais Dinâmicas, conseguindo com isso apresentar lucro e pôr prejuízos para debaixo do tapete. A mais-valia resultaria da valorização da I’m Mining — empresa controlada pelos irmãos Jorge e Carlos Martins da Martifer — de €360 milhões para €492 milhões, movimento que permitiu aumentar o valor da participação do banco de €69 milhões para €93 milhões. A reavaliação foi feita pela Ernst & Young. Posição essa que seria comprada pela Vogais Dinâmicas, detida por Jorge e Carlos Martins, a sua holding IM, e o Montepio.

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