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Europa: Juros em queda nos periféricos, bolsas em alta

Subida de juros pela Fed e vitória anti-populista nas eleições na Holanda geraram um fecho em alta nas bolsas asiáticas e uma abertura no verde nas praças europeias. Juros da dívida a 10 anos estão em queda nos periféricos do euro, mas sobem na Alemanha, Holanda e Finlândia

Jorge Nascimento Rodrigues

A subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (Fed) para 1% (no limite superior do intervalo) e a perspetiva de novos aumentos sucessivos ainda este ano e até final de 2019 apontando para 3% nessa altura provocaram uma onda positiva nos mercados financeiros.

Movimento altista que se reforçou com a vitória destacada do partido do atual primeiro-ministro Mark Rutte nas eleições legislativas de quarta-feira na Holanda, apesar da subida do partido populista de Geert Wilders para a segunda posição no xadrez parlamentar. A punição eleitoral do partido Trabalhista de Jeroen Dijsselbloem – o atual presidente do Eurogrupo – foi compensada pela subida significativa da representação dos Verdes, centristas e cristão democratas, considerados pró-europeus, podendo fornecer uma base para uma nova coligação de governo que não colocará em causa a pertença ao euro e a permanência na União Europeia.

O risco iminente de Nexit (em inglês, Netherlands exit) foi colocado de parte pelos mercados financeiros. A atenção desloca-se agora para as eleições presidênciais no próximo mês em França.

As bolsas asiáticas fecharam esta quinta-feira em terreno positivo, com os índices Hang Seng de Hong Kong e IDX da Indonésia a liderarem as subidas. O índice Nikkei 225 de Tóquio fechou ligeiramente acima da linha de água, distante dos ganhos de 0,8% em Seul, 0,9% em Xangai, 1% em Taipe, 1,6% em Jacarta e 2,1% em Hong Kong.

Na Europa, o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) subia quase 1% pelas 9h (hora de Portugal). Nas principais praças europeias, Milão e Madrid lideravam as subidas, com ganhos acima de 1,5%. O índice PSI 20 em Lisboa subia 0,6%.

No mercado secundário da dívida da zona euro, o movimento é de descida dos juros nos periféricos e em França e de subida na Alemanha, Finlândia e Holanda nos títulos no prazo de referência, a 10 anos.

As yields das Obrigações do Tesouro português que vencem em 2027 desceram de 4,27% no fecho de terça-feira para 4,26% no encerramento de quarta-feira e estão esta manhã a cair para 4,22% (pelas 9 horas), segundo dados da Bloomberg. Um movimento que é o contrário do que aconteceu aquando da subida da taxa de juros pela Fed em dezembro do ano passado, quando as yields das OT a vencer em 2026 subiram ligeiramente no patamar dos 3,7%. O "novo normal" do custo da dívida portuguesa a 10 anos está, agora, acima de 4%,mas abaixo do pico de 4,5% em fevereiro.

O movimento das yields das obrigações alemãs (Bunds) é de subida, de 0,41% no fecho de quarta-feira para 0,44% agora. Em dezembro do ano passado, na ocasião da decisão da Fed, desceram seis pontos base, refletindo uma corrida a títulos seguros.

Custo da dívida norte-americana desceu e bolsas subiram

Na sequência do anúncio da decisão da Fed, as bolsas dos Estados Unidos registaram um ganho de 0,9% na quarta-feira, segundo o índice MSCI. O movimento foi de subida geral nas praças das Américas, com o índice MSCI para os mercados emergentes latino-americanos a fechar com um ganho de quase 2%. Destacou-se a Bolsa de São Paulo com um avanço de 2,4%.

Ao contrário do que ocorreu aquando da subida dos juros pela Fed em dezembro do ano passado, as yields dos títulos a 10 anos no mercado secundário desceram esta quarta-feira nos Estados Unidos e também nas outras três economias importantes das Américas, Brasil, Canadá e México.

As yields dos títulos do Tesouro norte-americano no prazo a 10 anos desceram ontem 4%, fechando em 2,5%. Em dezembro do ano passado, no dia de anuncio da decisão da Fed, as yields subiram 10 pontos base, de 2,5% para 2,6%.

  • A moeda única europeia já subiu 1,18% esta quarta-feira. O primeiro salto ocorreu depois de conhecida a decisão do banco central dos EUA em subir as taxas de juro e o segundo após divulgadas as previsões de que o populismo não atingiu os seus objetivos nas eleições holandesas

  • “A economia norte-americana está a ir bem”, disse Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal, na conferência de imprensa desta quarta-feira a seguir ao anúncio da subida das taxas de juro pelo banco central. Continua a haver “uma enorme incerteza” sobre as mudanças que a nova Administração irá apresentar