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Reunião da Reserva Federal. À espera do anúncio da subida de juros por Janet Yellen

YURI GRIPAS / Reuters

É um dos momentos-chave da semana. Em Washington está reunido desde terça-feira o comité que decide a política monetária norte-americana. Os mercados de futuros apontam para a quase certeza de que a presidente da Fed anunciará hoje uma subida dos juros

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed) iniciou terça-feira uma reunião de dois dias que se afigura decisiva. Os analistas esperam que esta quarta-feira pelas 18 horas (hora de Portugal), a presidente da Fed, a economista Janet Yellen, anuncie uma subida das taxas de juro de referência do atual intervalo de 0,5% a 0,75% para 0,75% a 1%.

O mercado de futuros a 30 dias das taxas de juro do banco central aponta para uma probabilidade de 90% para a tomada desta decisão, segundo os dados do indicador de monitorização do grupo CME. Uma segunda subida de 25 pontos base (0,25 pontos percentuais) este ano tem uma probabilidade de 50% para a reunião de junho. Até final do ano, as probabilidades apontam para o ponto máximo do intervalo das taxas ficar por 1,25%. A probabilidade de subir para 1,5% na reunião de dezembro recolhe só 35%, por enquanto, apesar da Fed ter indicado que poderiam registar-se três subidas em 2017.

Um ‘cisne negro’ seria a equipa liderada pela economista Janet Yellen não anunciar hoje a tão esperada subida de juros, no momento em que divulgará um sumário das Projeções Económicas, em que se espera que reveja em alta as previsões de crescimento para a economia norte-americana.

Em dezembro, nas projeções médias divulgadas para o crescimento, a Fed apontava para 2,1% em 2017, depois de uma estimativa de 1,9% para o ano anterior, e 2% em 2018, um ligeiro abrandamento. No longo prazo, a projeção é de 1,8%. Para o desemprego, a Fed previa que a taxa “estacionasse” num planalto de 4,5% da população ativa entre 2017 e 2019, o que é considerado por muitos economistas como pleno emprego. Para a inflação, as projeções de dezembro apontavam para 1,9% em 2017 e 2% nos dois anos seguintes, dentro da meta de política monetária.

Colisão Fed-Trump para breve?

Alguns analistas apontam para um choque a curto prazo entre a orientação de normalização dos juros pelo banco central liderado por Yellen e os objetivos da política expansionista da Administração Trump.

A equipa de Yellen pretende evitar que a economia norte-americana entre em “sobreaquecimento” e numa deriva inflacionista, enquanto a presidência Trump promete regressar a taxas de crescimento real na ordem dos 4%, mais do dobro da projeção da Fed para o longo prazo. “Trump e Yellen parecem caminhar no sentido de uma colisão, ainda que em câmara lenta”, sublinha-se no The New York Times.

Uma subida dos juros do banco central norte-americano terá provavelmente um impacto no mercado da dívida soberana.

Em dezembro passado, quando a Fed aumentou a taxa em 25 pontos base, subindo do intervalo de 0% a 0,5% para o atual, os juros dos títulos do Tesouro norte-americano a 10 anos aumentaram nove pontos base no próprio dia no mercado secundário (subindo de 2,47% para 2,56%) e registou-se um contágio nos periféricos do euro, particularmente em Portugal e na Grécia.

A eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos provocou uma subida dos juros da dívida a 10 anos de 1,86% no dia das eleições em novembro para 2,45% no final do ano passado. A trajetória ascendente tem-se mantido, com os juros a fecharem na terça-feira perto de 2,6%.

Em virtude do fecho dos mercados financeiros na Europa antes do anúncio de Yellen, o impacto neste continente sentir-se-á no dia seguinte em conjugação com as primeiras projeções dos resultados das eleições legislativas na Holanda que se realizam hoje. Os resultados oficiais deste importante evento eleitoral num país membro do euro só serão divulgados no dia 21.