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Humberto Pedrosa espera que o Estado aumente a participação na TAP em abril

O empresário Humberto Pedrosa (à esquerda, ao lado do seu sócio David Neeleman) sente conforto no aumento da participação do Estado para 50% do capital da TAP

josé Carlos Carvalho

A TAP será detida em 50% pelo Estado até ao final de abril, referiu ao Expresso o acionista português da transportadora aérea e líder do Grupo Barraqueiro, Humberto Pedrosa, depois do seu sócio David Neeleman ter obtido nacionalidade cipriota, que o tornou cidadão da União Europeia

A TAP "está a evoluir favoravelmente" e o relacionamento entre os seus acionistas "está muito equilibrado e estável", comentou ao Expresso o empresário Humberto Pedrosa, presidente da Barraqueiro e acionista de referência da TAP. "Mas acredito que tudo ainda ficará melhor depois do Estado aumentar a sua participação para 50% do capital da TAP, o que será feito, previsivelmente, em abril", adiantou. O Expresso sabe que a expectativa do Governo é semelhante para a conclusão da operação de reforço do capital do Estado na transportadora aérea.

As declarações de Humberto Pedrosa foram prestadas depois do empresário David Neeleman ter anunciado esta segunda-feira ao Expresso que passou a ter nacionalidade europeia, através de Chipre, acrescentando que pretende concretizar novos investimentos na Europa, que possam beneficiar a TAP, fortalecendo a sua estratégia.

Para Humberto Pedrosa, todas as evoluções favoráveis à TAP serão benéficas ao desenvolvimento de projetos de crescimento da transportadora, garantido igualmente maior estabilidade acionista à empresa. O líder do Grupo Barraqueiro considera que o atual momento vivido na TAP é decisivo para o futuro sucesso da empresa. Atualmente a TAP está a iniciar o processo de atualização e modernização da sua frota, o que implica o reforço do pessoal de voo, tripulantes e comandantes.

TAP muda estrutura em 2017

A TAP realizará até ao final de 2017 uma operação de restruturação interna - de redesenho da sua estrutura organizacional, para aumentar os ganhos de eficiência -, pelo que serão negociadas rescisões por mútuo acordo com trabalhadores de áreas que não sejam fundamentais para o crescimento da atividade da transportadora aérea.

Recentemente a TAP alargou o número de destinos que integram o programa de voos com paragens de três dias (Stopover) - em Lisboa ou no Porto - aos passageiros embarcados nos aeroportos de Faro, da Madeira e dos Açores. A TAP estima atingir 300 mil turistas por ano com este programa, considerando que terá um impacto potencial de €150 milhões para a economia nacional, nos próximos três anos. Assim, os clientes da TAP provenientes da Europa ou de qualquer voo intercontinental, com destino aos aeroportos de Faro, Ponta Delgada, Terceira, Funchal e Porto Santo poderão usufruir de uma estadia máxima de três dias em Lisboa, ou no Porto, sem custos adicionais na viagem.

Regresso aos lucros

As contas da TAP regressaram aos lucros em 2016, apresentando um resultado líquido de 34 milhões de euros, quando em 2015 tinha registado um prejuízo de 99 milhões de euros, penalizado pela retenção de capitais na Venezuela. O regresso aos lucros aconteceu apesar da quebra nas receitas, que totalizaram 2.242 milhões de euros, 156 milhões abaixo dos 2.398 milhões de euros registados em 2015. Esta quebra nas receitas foi compensada por uma redução mais expressiva dos custos operacionais, que ficaram pelos 2.042 milhões de euros, menos 227 milhões de euros que em 2015.

Esta reorganização vai ser feita depois dos acionistas Humberto Pedrosa e David Neeleman terem assegurado em 2016 "fortes investimentos", de que resulta a criação da TAP Express (que substituiu a Portugalia) e "a renovação total da frota regional, que passou de uma das mais antigas da Europa para a mais jovem a operar no continente europeu".

Recordes no número de passageiros

No segundo semestre do ano passado, a TAP registou uma forte recuperação, que incluiu sucessivos recordes históricos no número de passageiros transportados nos meses de outubro, novembro e dezembro. Mas o crescimento prosseguiu em 2017, com o número de passageiros transportados pela TAP a subir para 960.384 pessoas em janeiro, ou seja, mais 27,5% que no mês homólogo de 2016 o que constituiu um "novo recorde mensal", referiu a companhia. Agora a TAP está em condições de avançar para a venda de 5% de ações representativas do seu capital social, cuja operação será destinada aos trabalhadores, sem haver certeza sobre a subscrição total destas ações pelos efetivos do grupo TAP.