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A economia mundial está a sair de convalescença, diz FMI

No verão passado registou-se um ponto de viragem, mas é um erro julgar que será “automático” o regresso a um crescimento saudável, avisou a diretora-geral Christine Lagarde numa nota para o G20 de sexta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

“O recente fortalecimento da atividade económica sugere que a economia mundial pode ter finalmente saído do estado de uma convalescença plurianual”, escreve Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) numa nota dirigida aos ministros das Finanças e banqueiros centrais que se reúnem esta sexta-feira em mais um encontro do G20 na Alemanha.

Lagarde secunda “o crescente otimismo” sobre a economia mundial que registou um ponto de viragem – “pelo menos por agora” – desde o verão do ano passado, com os indicadores da produção industrial e do comércio internacional em trajetória ascendente. “Os resultados do crescimento no segundo semestre do ano passado foram em geral sólidos”, refere a diretotra-geral do FMI numa nota publicada no blogue da organização, IMF Direct.

Evitar dar tiros no pé

Mas, logo, avisa que seria um erro assumir que a economia mundial “automaticamente” regressará a um crescimento saudável. O momento atual é decisivo para consolidar a viragem: “De facto, são raros os períodos em que as opções de políticas contam mais para o que virá a seguir, sobretudo porque ainda existem riscos na perspetiva (económica)”. Lagarde diz ao G20 que o momento atual é um deles.

“Acima de tudo, deveremos coletivamente evitar lesões autoinfligidas”, refere a diretora-geral do Fundo.

Ora, os tiros no pé que o G20 pode dar são vários.

O primeiro é continuar a ignorar a questão da desigualdade de rendimentos, do desemprego nos sectores económicos em declínio e em algumas regiões estruturalmente fracas. O tema do impacto das recentes vagas da revolução tecnológica tem de ser colocado na ordem do dia, pois parece estar associado a uma queda da parcela dos rendimentos do trabalho. “Investigação realizada pelo FMI mostra que evitar uma desigualdade excessiva ajuda o crescimento, e não prejudica”, sublinha Lagarde. Aponta os exemplos da Dinamarca nas políticas ativas de emprego (gasta 1,9% do PIB em tais políticas em comparação com 0,1% nos EUA) e de Singapura na promoção da aprendizagem ao longo da vida para fazer face às mudanças tecnológicas.

O segundo tiro no pé pode ser o G20 afastar-se da cooperação internacional para corrigir os desequilíbrios externos à escala mundial e do princípio que o comércio internacional é “o motor de um crescimento partilhado”.

O G20 reúne-se na sexta-feira em Baden-Baden na Alemanha com organização, este ano, da Alemanha e deverá contar com a presença do novo secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin. É elevada a expetativa sobre as posições do representante da Administração Trump, que, na sua retórica, tem manifestado vontade de dar alguns tiros em princípios que têm movido até à data o G20. A atitude da China é outro ponto de atenção depois do seu presidente ter afirmado no Fórum de Davos em janeiro a vontade da segunda maior economia do mundo se tornar guardiã do comércio livre e da globalização.

G20 (abreviatura para Grupo dos 20) é um grupo formado pelos ministros de Finanças e governadores e presidentes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo, quer desenvolvidas, quer emergentes, mais a União Europeia. Foi criado em 1999.