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Tomás Correia confirma “buraco” na Associação Mutualista do Montepio mas desvaloriza

Luis Barra

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, Tomás Correia, desvalorizou esta terça-feira o facto da associação ter capitais próprios negativos de €107 milhões em 2015 a nível consolidado. “O que interessa são as contas individuais”, insiste

O presidente da associação mutualista Montepio, dona da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), convocou uma conferência de imprensa para afastar eventuais interpretações de que a associação a que preside se encontra em falência. Em causa está uma notícia do Público segundo a qual a auditora KPMG refere a existência de capitais próprios negativos nas contas consolidadas da Mútua em 2015.

Tomás Correia que acumulou durante sete anos a presidência da associação e do banco Montepio, até agosto de 2015, desvalorizou a questão das contas consolidadas - as que refletem todos os ativos detidos pela mútua, desde os seguros, o banco, residências entre outros ativos - insistindo na ideia de que as contas individuais é que valem.

A questão dos capitais próprios negativos em termos consolidados na associação deve-se a uma imparidade que foi foita ao nível da Caixa Económica Montepio Geral, detida a 100% pela associação. E, acrescentou:"é um problema que se resolve".

Afirmou, contudo, que em 2016 os capitais próprios da associação continuaram "negativos", por causa dos resultados do banco. Mas está convicto de que o "problema se resolve, não traz complicações". Isto porque acredita que em 2017 quer a seguradora quer o banco vão ter resultados positivos. "As coisas não têm corrido mal ao Montepio, foi o banco que melhor melhor desempenho teve ao longo dos anos de crise".

O presidente da associação mutualista referiu que o que interessa para avaliar a solvência da mútua são as contas individuais. "Em base individual (em 2015) apresentava um resultado operacional positivo de €36,4 milhões e fundos próprios no valor de €207 milhões", disse.

O presidente da associação mutualista considera que não haverá necessidade de fazer um aumento de capital no banco por parte da associação, mas também diz que não tem o poder de adivinhação. E recusa a entrada de novos acionistas no banco, que quando se tornar sociedade anónima pode abrir o capital a outros investidores.

Recusa sair por ser arguido

Questionado sobre se equacionou colocar o lugar à disposição por ser arguido em vários processos, Tomás Correia volta a socorrer-se de uma frase que diz muitas vezes: "Existe uma campanha contra o Montepio, desde o verão de 2014, sabe-se lá porquê". À pergunta, responde:"não contem comigo para ceder a esse tipo de chantagem", remetendo a resposta para o conselho geral e de supervisão presidido pelo Padre Vitor Melícias, presente na conferência de imprensa. "Depois de ouvido Tomás Correia, o conselho decidiu dar-lhe todo o apoio", afirmou o Padre Melícias.

Tomás Correia é arguido em dois processos crime e uma acusação do Banco de Portugal. Uma das investigações do Ministério Público diz respeito a um negócio imobiliário em Coimbra, segundo noticiou o Público, na outra é suspeito de ter recebido €1,5 milhões do construtor José Guilherme, também relacionadas com negócios imobiliários, segundo noticiou o Expresso. O mesmo construtor que presenteou Ricardo Salgado com €14 milhões. É ainda acusado pelo Banco de Portugal num processo de contra ordenação que aguarda decisão final, e no qual já apresentou a sua defesa.