Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Primeiro consórcio luso-chinês faz obra internacional em Moçambique

A Mota-Engil, em parceria com a chinesa CCEC, vai construir até 2021 uma linha de comboio com 500 quilometros de extensão e um porto de águas profundas na província da Zambézia

O projeto de construção da linha de comboio moçambicana entre a zona mineira de Moatize, na província de Tete, e o porto de Macuse, que inclui a criação de uma infraestrutura portuária de águas profundas, correspondente a um contrato de 2,3 mil milhões de dólares (2,15 mil milhões de euros), foi "ganho em concurso pelo primeiro consórcio luso chinês formado para realizar uma obra internacional", comenta ao Expresso José Pires da Fonseca, presidente executivo da concessionária desta operação ferroviária e portuária, a TML - Thai Moçambique Logística. O consórcio vencedor é formado pela parceria da Mota-Engil com a chinesa CCEC, estabelecido numa relação igual de 50%-50%.

Esta obra terá uma duração prevista de 36 meses para construir uma linha ferroviária com uma extensão de 500 quilómetros, que ligará por comboio as minas de carvão de Moatize até ao porto da província da Zambézia, localizado a 1600 quilómetros ao norte de Maputo.

"Esta linha ferroviária deve estar operacional em 2021", prevê Pires da Fonseca, admitindo que "numa primeira fase o porto de Macuse deve escoar cerca de 30 milhões de toneladas de carvão, aumentando até aos 100 milhões de toneladas na quarta fase".

"Os clientes industriais que vão comprar este carvão de Moatize são siderurgias da Índia, do Japão e da China, e os restantes, que são empresas que gerem centrais térmicas, estão na Índia, na Tailândia e na China", explica Pires da Fonseca.

No entanto, esta nova linha ferroviária não se destina a transportar exclusivamente mercadorias, pois terá uma importante componente de transporte de passageiros entre a zona costeira da Quelimane, capital da província da Zambézia, e a província interior de Tete.

O consórcio da Mota-Engil com a CCEC ganhou este concurso face às propostas concorrentes da construtora brasileira Andrade Gutierrez, das chinesas CRCC e CHEC, da turca Yapi e da coreana GS.

Os acionistas da TML são a Italian Thai Development, com 60% do capital, os Caminhos de Ferro de Moçambique, com 20%, e a Codiza - Corredor de Desenvolvimento da Zambézia, também com 20%.

José Pires da Fonseca tem grande experiência ferroviária. Foi quadro da CP e responsável pela CP Carga, criou a companhia ferroviária Takargo Rail, e foi responsável pela área ferroviária ibérica da Veolia Transdev. Em Moçambique foi responsável pelas operações ferroviárias do gigante mineiro Rio Tinto, e em 2014 assumiu a liderança executiva da TML - Thai Moçambique Logística.