Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Centeno pede atenção da Europa para o regresso “à saúde orçamental”

JOÃO RELVAS / Lusa

Ministro das Finanças quer que Bruxelas tire o país do mecanismo de penalização por défice excessivo, destaca o “Financial Times”. Centeno diz que “não estamos a ser tratados de forma justa” e dirigindo-se às agências de rating e aos mercados salienta que “o Portugal de hoje é diferente do Portugal de 2012”

"Portugal apelou à União Europeia e às agências de rating para reconhecerem a dimensão da mudança no país, em direção ao défice orçamental mais baixo dos últimos 40 anos". É assim que o jornal inglês "Financial Times" desta segunda-feira começa um artigo com declarações do ministro das Finanças Mário Centeno, sobre o estado da economia nacional e o trabalho feito para sair do Procedimento por Défice Excessivo.

"É importante que as agências de rating percebam que o Portugal de hoje é diferente do Portugal de 2012", diz o ministro numa entrevista publicada na edição desta segunda-feira do "Financial Times".

Centeno, refere o jornal, quer que Bruxelas retire Portugal do grupo de países sujeitos a sanções por quebra de regras orçamentais da UE, sublinhando que o défice orçamental de 2016 deverá ter ficado "muito próximo dos 2%" do Produto Interno Bruto, a percentagem mais baixa depois do 25 de Abril de 1974.

"A nossa economia está em expansão há 13 trimestres consecutivos. Se isso não é suficiente para um país deixar o Procedimento por Défice Excessivo têm de questionar o que será preciso fazer para o conseguir", diz Centeno.

A União Europeia usa este mecanismo para corrigir défices e níveis de dívida nos seus estados membro e, permitir que Portugal saia do Procedimento por Défice Excessivo depois da pública oficial do défice de 2016, na próxima semana, poderá desencadear uma atualização do rating de crédito e reduzir os custos de empréstimos do Estado, refere o governante.

"Penso que não estamos a ser tratados de forma justa". " A fatia do nosso orçamento gasta no pagamento de juro é maior do que em qualquer outro país da UE", sublinha o ministro, chamando a atenção das agências de rating e dos mercados para o facto da redução da dívida das famílias e das empresas "estar a revelar-se surpreendente".

Em Portugal, destaca o Financial Times, os juros da dívida a 10 anos têm estado perto dos 4% nos últimos meses, o seu nível mais elevado desde o início de 2014.
O jornal recorda que este foi um dos países mais atingidos pela crise financeira da zona euro e, em 2011, Lisboa negociou um resgate de 78 mil milhões de euros com a UE e com o Fundo Monetário Internacional, acabando por ter classificações de rating negativas, ao nível de "lixo financeiro", das agências Fitch Ratings, Moody´s e Standard & Poor´s.

Referindo-se aos alertas dos analistas internacionais de que a recuperação de Portugal estaria particularmente exposta a choques externos, como a eventual vitória de Marine Le Pen nas presidenciais francesas, Centeno comenta que tal como o seu país, toda a Europa está vulnerável a "eventos extremos" que minam a sua força.

"Há diferentes vulnerabilidades entre os países e nós compreendemos as nossas", diz o ministro. "É por isso que temos implementando políticas que geram crescimento, consolidação fiscal e coesão social", justifica, sem esquecer uma referência aos portugueses que perceberam as razões porque tiveram de fazer sacrifícios e podiam começar a colher os frutos.

Na análise do quadro nacional, o Financial Times recorda que o governo do PS tomou posse em novembro de 2015, com o paoio dos comunistas e do Bloco de Esquerda, trabalhando rapidamente no sentido de reverter medidas de austeridade introduzidas durante o período de resgate. "Mas surpreendeu muitos por um forte compromisso com as metas fiscais e o desempenho obtido no seu cumprimento".

Com uma nota de otimismo, Centeno diz ao Financial Times que "o investimento está a crescer e as exportações para países não comunitários estão a aumentar mais de 20% nos últimos meses".

É verdade que a dívida pública subiu para 130,5% do PIB em 2016, mas o ministro sublinha que foi preciso aplicar 4,4 mil milhões de euros para estabilizar o sector financeiro. Sem este custo, "a dívida já estaria claramente a descer", garante.