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Entrada de Cascais 
vai sofrer revolução urbanística

O projeto vai soterrar parcialmente o hiper, bem como todo o estacionamento (em primeiro plano). Estão previstos seis edifícios com 146 apartamentos e um jardim

DR

Projeto de €80 milhões, que contempla um novo Jumbo e 146 casas, deverá arrancar no primeiro trimestre de 2018

A entrada nobre em Cascais — através da Avenida Marginal — vai sofrer, a médio prazo, uma grande revolução urbanística: um projeto misto residencial e comercial, orçado em €80 milhões, vai transformar toda a zona onde está instalado atualmente o hipermercado Jumbo e a envolvente. Um novo hiper vai ser construído, com uma área de restauração no topo do edifício virada para o mar enquanto na parte habitacional estão previstos seis prédios com cerca de 150 apartamentos.
O projeto “Entrada Nascente de Cascais” tem como parceiros o grupo Auchan (proprietário do Jumbo) — para a parte comercial — e o empresário holandês Benno van Veggel — para a área residencial — e vai entrar em discussão pública na autarquia na próxima semana.

Os dois parceiros privados uniram esforços e aos seus lotes de terreno juntaram as parcelas que adquiriram à Santa Casa e à autarquia (que ali tinha instalados os departamentos de Obras Públicas e do Desporto) ficando com uma vasta área de 33.000 m2.

Para a autarquia, este projeto é o desbloquear de uma situação que se arrastava há quase duas décadas, altura em que ficou ‘congelado’ um outro empreendimento dos mesmos parceiros, mais complexo, que previa soterrar parte da Marginal e da via férrea para libertar área pedonal e a construção de um centro comercial, uma tendência ainda em alta nesses tempos.

“O outro projeto envolvia mais entidades, entre as quais a Infraestruturas de Portugal e a CP. E quantas mais entidades, mais difícil é acertar interesses. A Câmara quis simplificar e funcionou aqui como facilitadora do processo”, referiu Miguel Pinto Luz, vice-presidente da autarquia, reforçando que o objetivo é “deixar respirar a entrada de Cascais, que neste momento é feia e atolada com centenas de carros estacionados no silo automóvel”.

É precisamente no local deste silo automóvel, que vai nascer o futuro hipermercado e galeria comercial. O atual silo vai ser uma das primeiras estruturas demolidas para ser ocupado por uma parte de zona pedonal e para a construção do novo espaço, uma solução que resolve a firme intenção da Auchan em não encerrar um só dia o hiper enquanto decorrer a obra.

“O Jumbo está aberto há 44 anos e assim vai permanecer até que possa passar para o novo espaço. Atualmente ocupamos 19.000 m2 de área bruta locável e vamos passar a 12.000 m2, mas o que perdemos em tamanho ganhamos em operacionalidade. E em qualidade visual, que é cada vez mais importante”, sublinha João Mourão, responsável pela área do Desenvolvimento no Comité de Direção da Auchan.

O projeto da autoria do ateliê Fragmentos de Arquitectura joga com os desníveis do terreno e enterra parte do novo espaço comercial, bem como todo o parque de estacionamento, que passará de 430 para 600 lugares. “A entrada do hiper vai estar à cota atual com uma fachada ajardinada (jardim vertical). Mas como a avenida de Sintra vai subindo, passados 15 metros, parte do edifício ficará soterrado. No topo, será criada uma zona de restauração com 2000 m2”, explica Duarte Pinto Coelho, arquiteto da Fragmentos.

Mais trânsito?

Além dos 600 lugares de estacionamento, também soterrada ficará toda a zona operacional da Auchan (atualmente à superfície) e onde se incluem armazéns, áreas técnicas e cais de cargas e descargas.

Uma opção que se espera venha não só aliviar o atual congestionamento do trânsito nesta zona como minimizar o impacto do novo projeto a este nível, responde Miguel Pinto Luz, o responsável camarário, quando se questiona se 146 novas casas nesta entrada nevrálgica de Cascais não poderão adensar ainda mais o tráfego rodoviário.

Já o arquiteto refere ainda que este empreendimento canaliza o acesso e estacionamento das viaturas automóveis ao espaço comercial e à zona residencial pelas vias laterais, “para não obstruir a circulação viária da Marginal”.

Há cerca de 20 anos ligado ao projeto, o empresário holandês Benno van Veggel (antigo diretor-geral da Multi Development) tem a seu cargo a promoção da parte habitacional.

Referindo que nos dias de hoje já não faz sentido um projeto que contempla um grande centro comercial, admite também que esse empreendimento antigo “era demasiado ambicioso e complexo, até porque envolvia muitas entidades”.

Para o atual projeto, o promotor compromete-se junto da autarquia “a assegurar 7000 m2 de áreas verdes”. E se tudo decorrer dentro do previsto, diz o empresário, “a obra deverá arrancar no primeiro trimestre do próximo ano e deverá demorar cerca de quatro anos e meio a estar concluída”.

Para já, o projeto (bem como o estudo de tráfego para a zona) vai entrar em discussão pública na autarquia a partir de terça-feira (após publicação no “Diário da República”), um processo que decorrerá durante 20 dias úteis. “Nesta primeira fase, discutem-se questões macro, ou seja, tudo o que tem a ver com cérceas, áreas de implantação, de construção e redes viárias”, adiantou ainda o vice da autarquia. A tipologia dos apartamentos varia, estando previstos 90 T2 e 38 T3. Os preços não estão definidos até porque o projeto de arquitetura ainda terá de ser aprovado.