Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

“Deve haver incentivos fiscais à poupança”

José Galamba de Oliveira, Presidente da Associação Portuguesa de Seguradores

Nuno Botelho

Após 31 anos na consultora Accenture, onde acompanhou de perto o sector financeiro, José Galamba de Oliveira passou a liderar, desde setembro, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS), dando a cara por um sector em grande transformação e que nos últimos anos passou pela entrada de acionistas estrangeiros, como a chinesa Fosun na Fidelidade, os americanos da Apollo na Tranquilidade e na Açoreana e o reforço dos belgas da Ageas na Ocidental e com a compra da AXA Portugal. O regresso dos incentivos fiscais para estimular a poupança, nomeadamente ao nível dos planos poupança reforma (PPR), é uma das medidas que defende.

O sector dos seguros tem tido alterações relevantes em Portugal, não só a nível de acionistas mas também da regulação e da digitalização. Como é que isso influencia o negócio?

O negócio dos seguros está a sofrer o impacto das novas tecnologias, da digitalização da economia, de termos consumidores muito mais informados e muito mais exigentes, o que leva à necessidade de segmentar mais e conhecer melhor os clientes. Há a entrada recente das chamadas insurance techs, novas entidades que através da tecnologia estão a abordar nichos de mercado com ferramentas mais ágeis e eficazes. E depois há a área dos novos riscos, nomeadamente cibernéticos, que trazem riscos de perda de negócio ou reputacionais. Há os drones, os veículos sem condutor, e é preciso definir regras de proteção para esse tipo de riscos... Já há seguradoras a trabalhar nestes seguros. Por outro lado, houve alterações regulatórias a nível europeu, o sector está muito mais regulado. As companhias têm-se adaptado bem.

Como correu o ano passado?

O sector move em termos de produção anual à volta de 6% do PIB, cerca de €11 mil milhões em 2016, um decréscimo de 14% face a 2015. O sector Vida continua a decrescer embora a um ritmo menor, cerca de 23%. Mas no último trimestre de 2016 e no início de 2017 já notámos uma inversão na curva de descida. A produção de seguros Não Vida cresceu 5%, muito impulsionada por três ramos: acidentes de trabalho (há mais pessoas a trabalhar na sequência da redução do desemprego), automóvel (com uma taxa de crescimento interessante) e os seguros de saúde também aumentaram, a acompanhar a recuperação da economia. Este ano, o ramo Não Vida vai continuar a crescer, provavelmente com taxas superiores a 2016.

Leia mais na edição deste fim de semana