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Procura de escritórios no Porto duplica em dois anos

Em 2006 nasceu o Burgo, um dos últimos edifícios de escritórios do Porto

Rui Duarte Silva

46% da oferta precisa de obras de reabilitação

A procura de escritórios no Grande Porto atingiu, em 2016, 40 mil metros quadrados (m2), um número que duplica a média anual registada ao longo da última década. A conclusão é de um estudo sobre o mercado de escritórios do Porto elaborado pela Cushman Wakefield/Predibisa que revela, também, uma nova tendência. “Até 2014, a área média procurada variava entre os 50 e os 200 m2. Hoje pedem áreas de implantação acima dos mil m2 quadrados”, refere Graça Ribeiro da Cunha, diretora da Predibisa.

A responsável pelo departamento de escritórios e retail da consultora imobiliária destaca “uma forte intensão de investimento no Porto” e diz que no final do terceiro trimestre de 2016, quando fez contas, percebeu que “tinha uma dúzia de pedidos de arrendamento de escritórios para áreas acima de 700 m2, mas não tinha resposta para eles”.

De acordo com o estudo, a explosão da procura traz um novo perfil de ocupantes. Eram maioritariamente nacionais, até 2014. Agora “há forte presença de multinacionais” e um dos sectores que se destacam na procura é o das empresas tecnológicas, com a área financeira a assumir, também, algum protagonismo.

É uma nova realidade, numa cidade onde o mercado de escritórios quase desapareceu nos últimos anos. Mesmo na Boavista, que domina a oferta, os preços por metro quadrado e os negócios concretizados, o Boavista Prime, o último edifício de escritórios aqui construído, nasceu na viragem da década e, antes dele, é preciso recuar até ao Edifício Burgo, em 2006.

Brooklyn no Porto

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, aproveitou a apresentação do estudo, para recordar que em 2013 “arrendar um escritório no Porto custava €187,25/m2 por ano, ou €15/m2 por mês, já incluindo renda, condomínio e manutenção”.

“São dos escritórios mais baratos do mundo. De acordo com um estudo de uma consultora internacional, o Porto surgia em 124º lugar num total de 126 localizações analisadas. Ou seja, arrendar um escritório custava menos do que em Hanói, Atenas ou Guadalajara, no México”, diz.

Hoje, de acordo com os dados deste estudo, as rendas na Boavista, sem incluir o condomínio, rondam os €12 a €14 por m2, tendo subido aos €16 nos últimos negócios feitos. “É um valor que tende a subir”, acredita Graça Ribeiro da Cunha, sublinhando que as rendas por m2 dos escritórios no Porto são €3 a €4 mais baratas que em Lisboa.

Frente à nova realidade da cidade, Rui Moreira quer aproveitar “a procura latente para dinamizar partes até agora algo esquecidas, como a zona Oriental”, onde vê oportunidades de “reabilitação fenomenais” de antigas fábricas e armazéns, ao estilo do trabalho já feito em cidades como Berlim ou Nova Iorque, no Meat Packing District ou em Brooklyn.

O problema dos 10%

Com uma oferta de 1,5 milhões de m2 de Área Bruta Locável, o stock de escritórios do Grande Porto concentra na cidade do Porto 55% da sua oferta. São 800 mil m2 de escritórios e 200 edifícios, mais de 40% dos quais na Boavista.

Mas mesmo aqui, numa zona definida como o Central Business District da cidade e que tem como eixo principal a Avenida da Boavista, apenas 21% da oferta aparece como tendo “qualidade elevada”.

Em média, no Grande Porto, apenas 10% da oferta tem “qualidade alta”, em linha com os requisitos básicos exigidos pela maioria dos ocupantes. 27% apresentam “qualidade média”.

Quarenta e seis por cento dos edifícios de escritórios precisam de obras de reabilitação para passar à fase da comercialização e 17% têm “qualidade baixa”, o que significa, no critério definido por este estudo, que nem com eventuais intervenções poderá responder aos requisitos do mercado.

Outro indicador analisado é a taxa de desocupação do espaço, atualmente nos 11,8%, uma percentagem considerada baixa, a indicar que há margem para investir na reabilitação de espaços e na edificação de raiz para o segmento de escritórios, garante o estudo.

E o que há de novo para apresentar neste domínio? No Porto, na Boavista, a Euronext inaugura o seu novo centro tecnológico na próxima semana, pronta a fazer todas as operações das suas bolsas em contínuo e, também software para vender noutros mercados.

Do lado de fora da cidade, um dos exemplos vem de Matosinhos, onde está a nascer o Urbo Business Center, um edifício de escritórios junto ao NorteShopping com 13.500 m2 de construção acima do solo e áreas de 2300 m2 por piso, promovido e construído pela DST, comercializado pela Predibisa.