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Estrangeiros desinvestem €8,3 mil milhões

Carlos Costa tem sido o grande amigo do Tesouro nos últimos dois anos com a aplicação do programa de compra de dívida pública

Luis Barra

Desde a saída da troika, residentes emprestaram €32 mil milhões às administrações públicas e não residentes saíram. Banco de Portugal deu a maior parte

Quando a união monetária ‘nasceu’ no papel, com a assinatura do tratado da União Europeia em 1991 na cidade de Maastricht, houve logo dúvidas sobre o seu sucesso. Dúvidas, principalmente, sobre se este conjunto de países estaria preparado para viver sem taxas de câmbio para ajudar a corrigir desequilíbrios. Vários economistas famosos, como o Nobel da Economia, Paul Krugman, deixaram os seus alertas. Alguns catastrofistas. Entretanto, o euro nasceu, viveu mais ou menos sem sobressaltos até à crise financeira de 2008 e, só então, os problemas vieram. E vieram em força. Só que de forma distinta do que se pensava no início da década de 90: houve choques assimétricos, sim, mas no risco e não sobre as indústrias específicas de cada economia. Basicamente, os investidores passaram a diferenciar o risco dos vários países e canalizaram muitos dos seus investimentos para os países do centro. Foi isso que penalizou drasticamente o financiamento da economia portuguesa — saíram quase €20 mil milhões entre 2011 e 2013 só da dívida publica — e empurrou o país para o resgate. Resgate esse que, na prática, mais não fez do que se substituir aos privados no financiamento ao Estado. Entre 2011 e 2014, Portugal recebeu €78 mil milhões dos fundos europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os bancos portugueses, que até ao resgate ainda investiram em dívida pública, acabaram também por se afastar.

Quando a troika terminou o programa, em 2014, os estrangeiros continuaram a sair e foram novamente os portugueses a chegar-se à frente. Particulares com algum peso, bancos que inverteram a queda rápida que aconteceu entre 2011 e 2014 e, principalmente, o Banco de Portugal no âmbito do programa de compra de ativos do Banco Central Europeu (BCE). Juntos, os investidores residentes financiaram as administrações públicas em €32,3 mil milhões nos últimos dois anos. No mesmo período, os estrangeiros (FMI incluído porque houve reembolsos) reduziram a posição em €19,1 mil milhões. Descontando o FMI e a carteira do BCE, a saída de capitais foi de €8,3 mil milhões.

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