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Centros de serviços têm os maiores negócios

Jose Carlos Carvalho

Seis dos 10 maiores arrendamentos assegurados por multinacionais

Portugal está a fazer sucesso junto das multinacionais que aqui querem instalar os seus centros de serviços partilhados que dão apoio às várias empresas a nível europeu ou mesmo mundial. Um estudo da consultora imobiliária BPrime mostra que “dos 10 maiores negócios ao nível do arrendamento do mercado de escritórios, seis inserem-se neste tipo de atividade”, diz Jorge Bota, diretor-geral da empresa.

Só os centros de apoio ao universo do banco BNP Paribas ocuparam cerca de 10 mil m2 de escritórios distribuídos pela Torre Ocidente, do complexo Colombo, e por um edifício na Alexandre Herculano, em Lisboa. Entre outros exemplos, contam-se ainda a Sitel e a Manpower, empresas de contact center.

“As ocupações ocorridas na chamada zona 3 de escritórios (Praça de Espanha, 2ª Circular)protagonizaram cerca de 57% dos 49.791 m2 que totalizaram o top 10 das maiores transações. De referir que a área total destes negócios aumentou em valor absoluto e em termos relativos, comparativamente a 2015, representando cerca de 35% da área total ocupada”, refere-se no estudo.

A intensa procura por parte de empresas nacionais e estrangeiras pelo Parque das Nações e pelas zonas mais centrais de Lisboa acabou por praticamente esgotar o stock que aqui existia, levando as novas entradas a virarem-se para outras alternativas ainda com disponibilidade, como é o caso da zona 3.

A facilidade de acessos e principalmente a proximidade dos transportes públicos pesam cada vez mais nas opções das empresas, que procuram edifícios bem localizados nesta matéria, ideais para quem recruta recém-licenciados, a baixo preço, em início de vida e sem grandes apoios automobilísticos.

Essa será uma das razões pela qual a zona 6 (eixo da A5 Lisboa-Cascais, onde se localizam a Quinta da Fonte, Lagoas Park, entre outros), que tem ainda “alguma oferta de escritórios de qualidade, a baixo preço e com capacidade para receber grandes ocupantes, tem enfrentado crescentes dificuldades para atrair essas entidades, não devido ao perfil da oferta existente, mas sim à mudança de perfil das empresas que atualmente dominam a procura e que valorizam mais as infraestruturas de transportes públicos”, sublinha-se no estudo.

Interessante e com muito potencial é toda a zona do Saldanha, Avenida da República e envolvente. Segundo Jorge Bota, há vários investidores à procura de oportunidades aqui. Esta zona é um bom exemplo do que se passa atualmente no mercado de escritórios ainda não ocupado de Lisboa. “Apesar de haver muita disponibilidade, a verdade é que grande parte dessa oferta é apenas estrutural — são espaços disponíveis mas sem condições para ser ocupados. É o que acontece, por exemplo, com uma série de edifícios na Avenida 5 de Outubro e ruas laterais, cujos proprietários deixaram degradar tanto os imóveis que mesmo com rendas baixíssimas de €7/m2 não os conseguem arrendar”, remata.