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BCE reduziu ainda mais a compra de dívida portuguesa em fevereiro

O Banco Central Europeu adquiriu €656 milhões em obrigações no mês passado, menos €32 milhões do que em janeiro. O corte no volume mensal foi de 36% desde novembro

Jorge Nascimento Rodrigues

O Banco Central Europeu (BCE) comprou em fevereiro menos 32 mil milhões de euros em dívida obrigacionista portuguesa do que no mês anterior, segundo os dados publicados em Frankfurt. Um ´corte’ de 4,6% em relação ao mês anterior. O volume mensal de compras em toda a zona euro (incluindo títulos supranacionais) reduziu-se em 4,4%, caindo de 71,36 mil milhões para 68,2 mil milhões de euros. A partir de abril, o volume mensal global deverá ser reduzido para 60 mil milhões de euros.

No âmbito do programa de aquisição de dívida pública no mercado secundário, o BCE comprou 656 milhões de euros em títulos portugueses em fevereiro, contra 688 milhões de euros em janeiro e 726 milhões de euros em dezembro do ano passado.

O volume de compras mensal tem registado uma trajetória decrescente, desde que o BCE decidiu travar nas aquisições de dívida pública. Em relação ao volume de compras de 1023 milhões de euros registado em novembro de 2016, o ‘corte’ foi de 36%. O mês de maior quebra foi dezembro, com as compras a emagrecerem abruptamente 29%.

Em fevereiro, o BCE reduziu as compras em todos os membros do euro, com exceção da Irlanda (que subiu de 547 milhões para 557 milhões de euros). Os maiores 'cortes' verificaram-se nas compras de títulos da Eslováquia, Finlândia e Eslovénia.

Em final de fevereiro, o programa de compras de dívida lançado pelo BCE em 2015 detinha uma carteira de 25,95 mil milhões de euros em títulos portugueses, um valor já superior aos saldos dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (em 14,5 mil milhões de euros, depois do pagamento antecipado de mais 1,7 mil milhões de euros em fevereiro) e do MEEF (24,3 mil milhões de euros), um dos dois fundos de resgate europeus. Ao ritmo mensal atual de compras, o ‘resgate’ via BCE ultrapassará o saldo do FEEF (27,3 mil milhões de euros), o outro fundo europeu de resgate.

Em final de dezembro de 2016, o BCE e o Banco de Portugal (BdP) detinham uma carteira de 35,4 mil milhões de euros em títulos portugueses, fruto das compras pelo BCE no âmbito do programa SMP de 2010 a 2012 e do programa posterior lançado em março de 2015 e cujas aquisições são realizadas pelo BCE e pelo BdP. Essa carteira representava 15% da dívida portuguesa no final do ano passado. Juntamente com a carteira da Segurança Social (em dívida transacionável) e com os empréstimos do resgate (FMI, FEEF e MEEF), o peso dos credores oficiais era de 48% em final de 2016.