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Nokia: um pequeno, grande, regresso

Arto Nummela, CEO da Nokia-HMD, durante a apresentação do novo Nokia 3310 


PAUL HANNA/REUTERS

Numa feira (Mobile World Congress) escassa em novidades devido ao quase silêncio da Samsung, deu nas vistas o lançamento de um clássico

Faz toda diferença. Ajuda à reabilitação e a que os músculos e os ossos não fiquem atrofiados. Também auxilia o sistema circulatório. E agora ajuda a caminhar... mesmo que por curtos períodos. Berta Legido é paraplégica. Uma lesão na medula prendeu-a a uma cadeira de rodas e a todas as consequências clínicas inerentes a esse cárcere. No entanto, um exoesqueleto desenvolvido para a indústria militar norte-americana devolveu-lhe alguma mobilidade. No Mobile World Congress (MWC), Berta levantou-se da cadeira de rodas e caminhou no stand de um dos maiores operadores de telecomunicações do mundo. Foi possível ver, in loco, o funcionamento do exoesqueleto da Ekso Bionics — empresa da qual Berta faz parte — que integra um sistema de Internet das Coisas para poder acompanhar a evolução clínica de pessoas que têm condições clínicas semelhantes à de Berta Legido. Um cartão SIM (daqueles que são usados nos telemóveis) é responsável por enviar, em tempo real, toda a informação recolhida pelos muitos sensores existentes no exoesqueleto. Os dados compilados são enviados para a Nuvem (para um repositório na Internet) e disponibilizados aos médicos para que lhes seja possível acompanhar a evolução do paciente e propor novas terapias que são, ao contrário do que acontecia, personalizadas tendo em conta o estado de cada um.

O dispositivo da empresa americana prova que o Mobile World Congress é muito mais do que uma “feira de telemóveis” — epíteto atribuído aquela que é a maior feira de telecomunicações do mundo e que tem um impacto financeiro, esperado este ano, de €425 milhões na cidade de Barcelona e a criação de mais de 13 mil empregos temporários. Os números são da organização que revela que, nesta edição, mais de 2200 empresas de 200 países rumaram à capital da Catalunha para mostrar o que de melhor se faz no sector.

Para os principais atores, os operadores de telecomunicações e os fabricantes de sistemas, equipamentos e serviços para redes, o MWC foi palco para a apresentação do potencial do 5G. A próxima geração de comunicações móveis que vai servir de suporte a toda uma nova multiplicidade de serviços apoiados em grandes larguras de banda (10 a 12 vezes superiores às atuais). É este novo ecossistema que vai permitir o verdadeiro advento, por exemplo, das cidades inteligentes onde tudo será monitorizado em tempo real. Desde a qualidade da água e do ar à distribuição de energia. Estas “autoestradas etéreas” serão as responsáveis, igualmente, por trazer as transmissões de vídeo de Ultra Alta Definição e as experiências, em tempo real, de Realidade Virtual aos terminais móveis. Até os carros autónomos vão depender do 5G. Demonstrações não faltavam no MWC. Daqui a três anos, em 2020, ver-se-á como vai mudar o mundo quando os operadores começarem a massificar a oferta de serviços apoiados na quinta geração de telecomunicações móveis.

O revivalismo da Nokia 
a dar nas vistas

A Samsung foi, nos últimos dois anos, o fabricante que ganhou todas as atenções no MWC, no que ao lançamento de terminais diz respeito. A empresa coreana tem revelado os seus novos topos de gama em eventos que antecedem a abertura de portas da feira e, o ano passado, até contou com a presença de Mark Zuckerberg. O fundador da Facebook e a Samsung estavam, estão, alinhados na massificação da Realidade Virtual. Este ano, o adiamento forçado do lançamento do Galaxy S8 esvaziou a apresentação daquele que é o maior fabricante mundial de smartphones. O próximo topo de gama da empresa só vai ser conhecido a 29 de março porque foram instituídos novos processos de controlo de qualidade na integração das baterias nos terminais, consequência das deficiências que levaram à explosão do Galaxy Note 7 e à retirada do dispositivo do mercado. Sem o S8 para mostrar, a Samsung optou por revelar dois tablets — Galaxy Book e Galaxy Tab S3. Os equipamentos foram, claramente, uma solução de recurso numa apresentação que decorreu sem a subida a palco de qualquer coreano — algo inédito em conferências internacionais deste fabricante.

A Huawei aproveitou o ‘silêncio’ da Samsung e lançou o P10, um novo topo de gama muito bem construído e no qual mantém a parceria com a alemã Leica para o fornecimento da componente ótica das câmaras do telefone. Por seu lado, a LG trouxe a Barcelona o G6. O novo topo de gama deste fabricante é um feito de engenharia muito interessante. A empresa conseguiu colocar um ecrã de 5,7 polegadas num telefone com o qual se consegue interagir utilizando apenas uma mão.

E este MWC fica marcado por regressos. A Nokia, agora nas mãos do consórcio HMD (que junta uma empresa finlandesa e uma subsidiária da Foxconn — o fabricante chinês que produz o iPhone e milhares de outros dispositivos e componentes para terceiros), apareceu com novos dispositivos dos quais se destaca, por uma questão de curiosidade, a reedição do clássico 3310. Está de regresso aquele que foi um dos telefones mais populares de sempre e nem lhe falta o “Snake” — o jogo que pôs milhões a controlar a cobra que aumenta de tamanho sempre que come uma maçã. O 3310 foi o centro das atenções na feira e uma fonte da indústria disse ao Expresso que vários retalhistas a operar em Portugal já estão a encomendar o telefone na ordem dos “milhares de unidades”. A empresa finlandesa anunciou ainda três terminais Android: o Nokia 6, 5 e 3. São equipamentos com preços que os colocam no segmento de entrada e média gama. Vão estar, todos, disponíveis no mercado nacional.

E a Blackberry também está de volta. O fabrico dos telefones passou para as mãos da TCL (um dos maiores fabricantes chineses de tecnologia), mas o desenvolvimento de software continua em mãos canadianas.