Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Português cria novo gigante na indústria automóvel

Carlos Tavares concretiza acordo para a compra da Opel pelo Grupo Peugeot-Citroën. Será o primeiro gestor português a criar um conglomerado industrial desta dimensão no sector automóvel

Tiago Miranda

Pela primeira vez na história da indústria automóvel, será concretizada uma operação de fusão de grandes marcas por um gestor de topo português, de que resultará a criação de um novo gigante no sector. O protagonista é Carlos Tavares, ex-responsável da Nissan e atual presidente executivo do Grupo PSA - Peugeot-Citroën, que negociou em tempo recorde o acordo para a compra da Opel ao Grupo norte-americano General Motors (GM), presidido por Mary Barra.

Há quatro factos noticiosos que antecipam esta vitória de Carlos Tavares: Primeiro foi a agência Reuters a divulgar o êxito nas negociações entre o Grupo PSA e a GM, sem identificar as fontes da sua informação. Depois, veio o jornal francês Le Figaro a referir o sucesso no processo de compra da Opel. A seguir foi noticiado em vários órgãos de comunicação franceses que o Conselho de Supervisão do Grupo PSA tinha concordado em avançar com a operação. Finalmente, foi a vez da sede da PSA ter anunciado, formalmente, que realizará uma conferência de imprensa no seu "quartel-general", no número 75 da avenida da Grande-Armée, em Paris, na próxima segunda-feira, 6 de março, às 9h15 locais, correspondentes às 8h15 na hora de Lisboa.

Esta conferência de imprensa será conjunta, do Grupo PSA e da GM, mas liderada pela francesa PSA. Além da divulgação dos termos do acordo alcançado, esta comunicação formal da PSA marcará o sucesso no processo político e laboral conduzido por Carlos Tavares, em instâncias da União Europeia, junto dos líderes políticos franceses e alemães, mas sobretudo a conclusão favorável das reuniões mantidas com os sindicatos alemães - a poderosa central IG Metall -, bem como com os responsáveis pela Comissão de Trabalhadores da Opel na Europa.

Os sindicatos e os trabalhadores quiseram ter a certeza que não haveria despedimentos, que a autonomia, identidade e desenvolvimento da marca Opel seriam mantidas e que teriam perspetivas de crescimento a médio e longo prazo.

Nessas reuniões a equipa de Carlos Tavares conseguiu dar resposta favorável às dúvidas dos trabalhadores. Quer o IG Metall, quer a Comissão de Trabalhadores da Opel derem conferências de impresa a manifestar o seu voto favorável a este processo de compra da Opel-Vauxhall pela PSA.

Os valores do negócio nunca foram formalmente explicitados, embora o Expresso tenha tido indicações de um montante global da ordem dos 2 mil milhões de dólares.

Questões sobre a tecnologia utilizável no desenvolvimento dos projetos de mobilidade elétrica da Opel - que têm sido desenvolvidas até à data pela GM -, também não foram detalhadamente esclarecidas.

No entanto, há indicações que dão forte probabilidade a que a marca Opel possa vir a liderar os projetos de veículos elétricos do futuro universo industrial PSA-Opel-Vauxhall.

Segundo dados da Associação dos Construtores Automóveis Europeus (ACEA) a liderança do sector automóvel na Europa pertence ao Grupo Volkswagen, com um total de 3.641.012 veículos produzidos em 2016 seguida pela Renault em segundo lugar. Com a fusão entre a PSA e a Opel, esta dupla franco-alemã ultrapassará a dimensão atual da produção da Renault, ascendendo ao segundo lugar da indústria automóvel europeia.

No mercado português - tradicionalmente liderado pela Renault - a fusão entre a PSA e a Opel, ultrapassaria de forma consolidada a concorrência. Segundo a Associação Automóvel de Portugal - ACAP, no total das vendas de janeiro e fevereiro de 2017, a Renault vendeu 4413 veículos ligeiros de passageiros, ocupando o primeiro lugar, com uma quota de mercado de 13,02%, seguindo-se a Peugeot em segundo lugar, com 3530 veículos, correpondentes a uma quota de mercado de 10,42%.

A Opel aparece em sexto lugar nas vendas nacionais de ligeiros de passageiros em janeiro e fevereiro, com 2001 veículos vendidos e uma quota de mercado de 5,91%, seguindo-se a Citroën com 1900 veículos e uma quota de 5,61% do mercado de ligeiros de passageiros.

No segmento dos comerciais ligeiros a Renault também detém o primeiro lugar, com uma quota de mercado de 17,04% no acumulado de janeiro e fevereiro de 2017, segundo dados da ACAP.

Mas a Peugeot vem em segundo lugar no mercado português dos comerciais ligeiros, com 14,8% de quota de mercado, e a Citroën surge em terceiro com 14,65% de quota de mercado. A Opel aparece em sexto lugar no ranking português das vendas de veículos comerciais ligeiros, com uma quota de mercado de 6,44%, ficando assim à frente de marcas que são fortes a nível internacional nos comerciais ligeiros, como é o caso da Toyota, da Mitsubishi, da Volkswagen, da Mercedes-Benz, da Iveco e da Nissan.