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Bolsa castiga EDP. Analistas realçam evolução da dívida

LARES. Central da EDP em Lares, Figueira da Foz, é uma das mais recentes que funcionam com gás natural

NUNO BOTELHO

O desempenho operacional da EDP não entusiasma analistas nem investidores. A elétrica lidera as perdas na bolsa

A EDP anunciou esta quinta-feira um lucro de 960 milhões de euros e a distribuição generosa de dividendos (700 milhões ou seja 19 cêntimos por ação), mas o desempenho não entusiasma os investidores.

Os analistas que seguem a empresa notam que, em termos operacionais, os resultados não incorporam surpresas e a subida dos lucros (+5%) decorre de uma taxa de imposto inferior. Esta sexta-feira, a elétrica lidera as perdas na bolsa de Lisboa (-1,95%), negociando a 2,857 euros. A este preço, o dividendo representa 6,7% da cotação, uma dos rendimentos (dividend yield) mais elevados da bolsa portuguesa.

Na análise aos resultados, o Caixa BI regista uma ligeira redução do lucro operacional (EBITDA), afetado "por valores não recorrentes". Excluindo esses fatores, o EBITDA ajustado subiu 6%, para 3,7 mil milhões, "refletindo a maior contribuição das atividades liberalizadas".

Apesar da diminuição do custo médio da dívida (de 4.7% para 4.4%), os custos financeiros, em 2016, aumentaram 7% e ficaram acima do esperado pelos analistas, diz a Caixa BI. Mas, essa evolução é explicada "por efeitos não recorrentes (120 milhões) por causa do pagamento antecipado de dívida mais cara". Este efeito foi compensado por uma poupança fiscal não recorrente em 2016 de 163 milhões, impulsionando o resultado final.

Evolução da dívida

A análise da Caixa BI enfatiza a evolução da dívida - uma redução de 1,5 mil milhões face a 2015. Ainda assim, o número impressiona: 15, 9 mil milhões no fim de 2016. O investimento subiu 10%, distribuindo-se pelo financiamento da expansão ( 1,3 mil milhões) e manutenção (700 milhões).

Já o analista do BCP regista que "o lucro superou as estimativas, a dívida líquida diminuiu acima do previsto e a dividend yield está atrativa".

A nota do BCP realça que a margem do negócio de eletricidade liberalizada na Península Ibérica subiu 25% (para 1002 milhões), impulsionada por acréscimo da margem unitária e nos volumes vendidos (+9%). A redução de 8,6% na dívida "é outro fator positivo" para o analista do BCP. A EDP fixara como objetivo ficar abaixo dos 16,5 mil milhões. A maturidade média da dívida é de cinco anos.