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Reestruturação da TAP vai levar “alguns meses” e avança sem meta para rescisões amigáveis

Luís Barra

Fonte oficial da companhia assegurou que o processo de reestruturação da empresa estará concluído este ano

A reestruturação organizacional da TAP vai levar "alguns meses", mas estará concluída "ainda este ano", disse à Lusa fonte oficial da companhia, que ainda não tem definido um número a atingir com o programa de rescisões amigáveis que abriu.

Questionado pela Lusa sobre a meta a atingir neste programa de saídas de pessoal, fonte oficial da TAP disse que "não está ainda quantificada" e que "vai demorar alguns meses".

"O responsável do processo vai agora reunir com as várias estruturas da empresa e só depois é que se fará o desenho da reestruturação em cada uma das áreas e se avança para os objetivos", explicou.

Já questionado se todo o processo de reestruturação da empresa estará concluído este ano, garantiu que sim.

Na passada sexta-feira, a TAP anunciou que vai avançar com uma reestruturação das estruturas, chamando a Portugal funções espalhadas pelas representações internacionais, avançando com a abertura de um programa de rescisões, mas criando também cerca de 200 novos postos de trabalho.

"A TAP vai dar início a um programa de redesenho da sua estrutura organizacional com o objetivo de obter ganhos de eficiência e agilidade, reforçando as áreas onde a companhia precisa de maior crescimento e ajustando a sua dimensão, sobretudo em funções de suporte ao negócio", adianta a empresa em comunicado.

Dentro desta reestruturação, está prevista também, segundo a companhia, "a centralização em Portugal de funções dispersas pelas representações internacionais da companhia, no âmbito da qual estão a ser criados 60 novos postos de trabalho em Lisboa" a que se juntam outros cerca de 140, cujos concursos já estão abertos.

Este processo prevê um programa de rescisões por mútuo acordo, que não atingirá, no entanto, alguns grupos profissionais para os quais a empresa está a recrutar. "Estão a decorrer concursos para cerca de 200 novas admissões para funções nos setores da empresa em maior crescimento, como por exemplo: pilotos, comissários/assistentes de bordo, mecânicos e colaboradores diretamente ligados ao serviço ao passageiro", lembrou a TAP.

Esta quarta-feira, a TAP anunciou que regressou aos lucros em 2016, com um resultado de 34 milhões de euros, quando em 2015 tinha registado um prejuízo de 99 milhões de euros, penalizado pela retenção de capitais na Venezuela.

"O regresso da companhia aérea aos lucros foi possível, apesar de uma quebra nas receitas, que totalizaram 2.242 milhões de euros, 156 milhões abaixo dos 2.398 milhões [de euros] registados em 2015", adianta a TAP, em comunicado.

A companhia aérea liderada por Fernando Pinto explica que "esta quebra [nas receitas], no entanto, foi fortemente compensada por uma redução ainda mais expressiva dos custos operacionais, que ficaram pelos 2.042 milhões [de euros], menos 227 milhões [de euros] do que em 2015".

Em 23 de dezembro, a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) anunciou ter dado 'luz verde' à venda de 61% do capital da TAP ao consórcio privado Atlantic Gateway, de Humberto Pedrosa e David Neeleman, negócio concretizado pelo anterior governo e revertido pelo atual.

Em fevereiro de 2016, o Governo de António Costa reforçou a posição do Estado de 39% para 50%, configuração que terá ainda que receber aprovação do supervisor do setor da aviação.

O consórcio privado fica com 45% do capital do grupo que tem como principal ativo a transportadora aérea, mas pode chegar aos 50%, em função da adesão dos trabalhadores da TAP à operação de venda de 5% que lhes está destinada.